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sábado, 10 de setembro de 2011

IN MEMORIAM (11 de Setembro 2001)



Nesta folha em branco, quereria escrever os nomes de todas as pessoas que pereceram naquele fatídico dia 11 de Setembro de 2001...
O coração da América foi ferido de morte. O seu orgulho manchado, pelo aviltamento e a monstruosidade de um homem, de uma seita, de um grupo que age e espalha o terror, em nome de uma suposta "Libertação"...
Tentáculos, poderosos, chegam aos quatro cantos do Mundo, numa dança cega de ódio, violência e fanatismo, num desejo mórbido de o controlar...
Vidas interrompidas abruptamente... Despedidas emocionadas de pais, de filhos, de esposos e de amantes, presos, por segundos, à vida. Outros, nem tempo tiveram para dizer a palavra «Amo-te» ou a frase «Não me esqueças», impotentes, perdidos como grãos de areia, numa gigante duna, que num ápice se desfez! Gente obrigada a morrer, sem piedade, só porque estavam, àquela hora, no local errado. Bonecos usados, manipulados como marionetas, nas mãos de um louco!
Um cheiro a morte antecipada. Um inferno de chamas engolindo, com avidez, os corpos inocentes... Nuvens de pó negro, adensadas, esconderam o NADA que restou do World Trade Center, em Nova Iorque. Apenas escombros, ferros retorcidos e dor, muita dor, ali ficou no meio do betão...
Vidas que lutaram para salvar outras vidas, esquecendo-se da ameaça que pairava sobre a sua própria vida. Não havia tempo para pensar. Só podiam pensar com os pés e correram, muitos deles para o abismo.
Sonhos perdidos  para sempre... Uma história de dor, de saudade  e de muito sofrimento ficou nos que ficaram para contar a história.
Lágrimas caíram em rostos anónimos, de todas as cores e de todos os credos. O Mundo, atónito, tentou perceber o que era a completa e total incompreensão do gesto. E todos nós perecemos, um pouco, naquele dia...
Hoje, reflicto sobre aqueles momentos. Visualizo, na minha memória, as imagens de terror. Ouço, por instantes, os gritos aflitos das pessoas.
Reforço, em mim, de entre os demais valores que  me foram transmitidos, o significado da palavra Igualdade.
Ali, naquele lugar onde tudo aconteceu, entre aqueles homens e aquelas mulheres, esvaeceram-se diferenças. Ricos, pobres, indigentes e sem-abrigo, foram apenas pessoas iguais a lutar pela vida. 

Autora: Isabel Vilaverde
Setembro de 2011

Imagem: Google.

domingo, 14 de agosto de 2011

DOMINGO


Hoje é Domingo. Não gosto dos Domingos. Apesar do silêncio que se sente aos Domingos, e eu gosto do silêncio, ele pesa-me.
Revisito as minhas memórias. Sinto a falta das tuas gargalhadas, dos pequenos "nadas" que me faziam feliz. Levantávamo-nos, mais tarde. Um de nós preparava a bandeja com os pequenos-almoços. Preguiçosamente, encostávamos as macias almofadas à cabeceira da cama e sentávamo-nos, plenos de felicidade, a degustar esses momentos verdadeiramente íntimos, verdadeiramente nossos.
Falávamos, despreocupadamente, de nós, do nosso amor, com um brilho no olhar. Recordávamos a entrega, um ao outro, dos nossos corpos, serpenteados por ondas de prazer,   nos finos lençóis amarrotados. A noite  fazia-se longa, até o pipilar dos pássaros se ouvir, prenunciando o acordar do dia. Como era bom sentir essa sensação de pertença. Como era bom viver esse amor partilhado e cúmplice. Como era bom sorrir-te e amar-te, sem esperar o vazio que uma noite, mais fria do que todas as outras, trouxe à minha vida. Espreito a janela indiscreta da saudade... Um dia fechá-la-ei, tenho a certeza, quando abrir novamente a porta do coração para receber a visita de um amor digno, que me subleve do tempo das folhas de Outono, jazidas pelos caminhos que percorro, na ausência e na esperança.
Hoje é Domingo. Não gosto dos Domingos, já o disse. Lembram-me os nossos silêncios, que o silêncio dos Domingos transformou em grito.


Written by: Isabel Vilaverde
14 Agosto 2011

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

AMAR DE NOVO


Todos nós, pelo menos uma vez na vida, encontrámos alguém, que nos fez parar para pensar. Situações verdadeiramente inesperadas, que podem mudar, radicalmente, o rumo da nossa vida. E, por isso mesmo, quantas vezes nos questionámos, com o intuito de encontrar uma explicação, um sentido. Pensámos, analisámos, avaliámos prós e contras...
O que nos pareceu, à priori, fácil, tornou-se difícil... o que nos pareceu difícil e complicado, veio a revelar-se simples. E isto aconteceu-nos vezes sem conta.
O nosso instinto, aliado à experiência de vida, dá-nos directrizes sobre o que fazer, perante as tais situações inesperadas. E começamos, quase de modo inconsciente, a fazer uma triagem, após a qual tomaremos uma atitude, faremos uma escolha, seguiremos um rumo.
Mas, como em tudo na vida, a voz do coração quase nunca coincide com a voz da razão. E, quando se trata de sentimentos, tudo se complica...
O medo de nos deixarmos amar existe na realidade. Resistimos perante o desejo. Todos desejamos viver um grande amor, nem todos somos capazes de o viver.
Ao aceitarmos tal condição, de ser amado e de amar, teremos, obviamente, de aceitar tudo o que ela implica. Estaremos, realmente, dispostos a correr tais riscos? O risco de vir a sofrer, o medo de falhar, a capacidade de fazer cedências...
Quando iniciamos uma nova relação, será que arrumámos, definitivamente, dentro de nós, todos os aspectos negativos da relação anterior? Estaremos dispostos a entregarmo-nos a essa nova relação, fugindo de uma certa tendência, humana diria, de comparar pessoas? Será que estaremos à altura de amar o/a outro/outra, com total isenção, sem deixarmos os «ses» e os «mas» interferirem no nosso caminho?
Todos temos medo de sofrer, apesar do sofrimento fazer parte da vida e do nosso crescimento, como pessoas. É ou não verdade que, quando ficamos sós, depois de uma relação terminada, dizemos: «nunca mais» ou «nem tão cedo me meto noutra». Isto, evidentemente, quando não agimos com leviandade... e exigimos de nós uma atitude de introspecção.
Também é verdade que, quando ficamos sós, quase sempre nos focamos noutros interesses, tentando desviar a atenção para áreas que, de alguma forma, preencham o vazio pela ausência de um companheiro ou companheira. Com isto, não quero de forma alguma dizer que, quando temos alguém ao nosso lado, deixamos de fazer o que gostamos ou desejamos. O nosso espaço individual deve ser sempre mantido, numa vivência de partilha. O que pretendo realçar é, tão somente, que alteramos hábitos, estabelecemos prioridades onde, por vezes, uma nova relação não tem lugar.
Essas prioridades tornam-se rotinas, ficamos preguiçosos, individualistas, achando até que perdemos a capacidade de amar - puro engano! O racional e o emocional entram em desequilíbrio. Para que tudo volte à normalidade e a vontade de amar renasça, há que quebrar as barreiras do comodismo que deixámos instalar dentro de nós, não termos medo de arriscar, criando um novo espaço para deixar entrar o pulsar do amor.
Ninguém nasce para viver sozinho. Precisamos de amar, tal como precisamos do ar para respirarmos.
O que é essencial na vida de cada um de nós, o que perdurará enquanto a percorremos, o que nos une e nos fará felizes, são os laços do amor e da amizade que conseguimos estabelecer  uns com os outros. Tudo o mais, é acessório.

Autora: Isabel Vilaverde
Setembro de 2010
(@Todos os Direitos Reservados).

Imagem: Google.


segunda-feira, 20 de setembro de 2010

FALA-ME DE TI...




Fala-me de ti, da tua solidão. Tenho de perceber se ela é igual à minha. Fala-me das tuas vitórias e das tuas derrotas. Fala-me dos momentos intensamente vividos, das alegrias sentidas, dos caminhos errados que percorreste, dos medos, das frustrações. Fala-me de ti, para eu perceber que não estou só.
Sei que precisas de tempo e de silêncio para te encontrares, eu também. Cruzámo-nos por um acaso, uma feliz coincidência ou não e, na nossa solidão, partilhamos as vidas, ainda que distantes pelas barreiras físicas, mas perto, bem perto um do outro. Tu e eu vivemos, nesta solidão partilhada, menos sós.
Fala-me de ti, do que ainda queres ser. Não importa o que tu e eu fomos, mas sim o que somos. Para ti e para mim, tem de existir amanhã. Não podemos viver aprisionados pelo medo de não conseguirmos. Para quê levantar barreiras dentro de nós? Essas são as mais perigosas e difíceis de demolir, tu sabes.
Já experimentámos a dor. Já cruzámos caminhos, mares, outras vidas, já sonhámos ideais. Por tudo isso somos hoje mais do que fomos. Um cúmulo de aprendizagens e de sabedoria. Somos audazes, perante as adversidades, e capazes de destrinçar o bem do mal. Sabemos o que queremos, o que nos faz bem e nos permite avançar. Por isso escolhemos o nosso caminho. A reflexão deverá estar sempre presente nessa escolha, ao pretendermos ir ao encontro do verdadeiro sentido da vida.
A vida é uma só estrada, por todos percorrida, longamente ou em tempo breve. Nela, encontramos dor, amor, amizade, solidariedade, cumplicidade, partilha; pilares que nos humanizam e nos tornam grandes. Mas também encontramos ódio, indiferença, crueldade, mentira, arrogância; tudo o que nos torna monstros com forma humana.
Uma palavra dita, um gesto, mostrados de forma especial, farão a diferença. Marcarão, para sempre, a nossa memória e as nossas vidas.
Fala-me de ti, meu amigo. Deixa que o Sol te inunde o coração. O meu está pronto para te acolher, tranquilamente. Guarda a solidão que precisas para te encontrares, e partilha comigo aquela outra que te magoa. Tenho todo o tempo do mundo.


Com amizade...
Isabel Vilaverde
(dedicado a um amigo
em sofrimento).
20 Setembro 2010






sábado, 12 de junho de 2010

PARTILHAR SILÊNCIOS



Não escrevo todos os dias, como gostaria. Há dias, até, que os pensamentos correm de tal modo velozes e desordenados, que não consigo transcrevê-los para o papel. Fico, então, serenamente a escutá-los, como uma aluna, atenta, escuta o seu professor.
Quando o dia sucumbe, acorda em mim a vontade de me tornar íntima desse branco imaculado. Em grafia imprecisa, escrevinho o que me vai dentro. Fascina-me a noite, as luzes, as sombras, os contornos indefinidos, a cidade adormecida... E as emoções emergem, tumultuosas, do meu ser. Finjo que estás aqui... que me olhas apenas com esse olhar cúmplice de quem sabe partilhar silêncios...
Fazes-me falta. Saber que, mesmo longe, estavas comigo a qualquer hora...
O que é o tempo? A distância? Senão um lamento sussurrante da saudade que sentimos quando amámos alguém... Eu amei-te, sim. Ainda te amo.  Hoje a saudade mora em mim. Não sei se para todo o sempre, não sei... Apenas sei que te guardo, como uma doce recordação, porque ajudaste a iluminar a minha vida.


Written by: Isabel Vilaverde
12 de Agosto de 2009
(@Todos os Direitos Reservados).

Imagem: Google.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

A SOLIDÃO DE MARIA


Uma sensação de impotência e desânimo abateu-se sobre a Maria. Deambulava pelas ruas, pela calçada de pedras irregulares, sentia os pés doridos de tanto caminhar. Caminhava sem destino. A cidade, gigantesca, de prédios altos, cheia de carros, de rostos anónimos, de olhares que se cruzavam, sufocavam-na. 
Os pensamentos causavam-lhe desgaste, sentia-se desesperada, queria encontrar uma saída mas as portas fechavam-se, uma a uma... Olhares cordiais mas frios, palavras gastas, repetitivas, ouvidas vezes sem conta ou, simplesmente, a ausência delas, denotando a mais profunda insensibilidade... Tudo isso lhe roubava a vontade de continuar a viver.
Só e sem o apoio de um companheiro, dos pais, de uma família, cheia de medo pelos filhos que dela dependiam, um deles doente, sentia cada vez mais perto as garras do desespero a cercá-la, a açoitá-la impunemente. Passavam-lhe pensamentos tristes pela cabeça. Procurava uma solução para os seus problemas, mas o desemprego tinha-a atirado para o fundo do abismo, lamacento e poderoso.
Naquele dia, pensou que a porta aonde iria bater se abriria, finalmente. A Maria pensou, levou a esperança consigo, mas a porta apenas se entreabriu para, logo a seguir se fechar.
Uma cidade enorme, tanta gente... e ela tão só, sem saber para onde ir, onde procurar mais, o que fazer.
Tentava preservar a dignidade, a custo, viver de aparências... Sabia que a Sociedade maltratava, marginalizava, condenava sem pudor, fingia aceitar as diferenças sociais mas, no fundo, era hipócrita e redutora.
Havia quem, supostamente, deveria exercer o papel mediador de ajuda, de aconselhamento e orientação, para a abertura de novos caminhos,  e prestar a assistência de que Maria e a sua família careciam. Ao invés, e sem que ela entendesse, esse alguém, exercia uma perseguição e pressão cerradas, intencional, com o propósito de espezinhar e atentar contra os mais elementares direitos, consignados na Constituição da República Portuguesa: o direito à sua privacidade e intimidade de sua casa, fazendo-se valer de uma lei estúpida e inconstitucional, que há muito deveria ter sido revista, na sua forma e conteúdo. Esse alguém, demonstrava nas abordagens a Maria o mais profundo desrespeito por ela e pelos seus filhos, não se importando com o sofrimento de uma família.
Ela queria gritar, mas já nem forças tinha. Estava a desistir de tudo...
Amigos, no sentido literal do termo, não tinha. Perdera-os com o divórcio ou melhor, nunca os tivera, verdadeiramente. Os amigos, quando verdadeiros, permanecem nos momentos de maior aflição.
Tinha-se tornado uma mulher solitária e o desespero apoderara-se de si, como tentáculos de um polvo a apertá-la, a roubar-lhe os sonhos, o desejo de ser feliz.
Maria era uma mulher muito bonita, por dentro e por fora. Era preciso conhecê-la para que se apercebessem da sua generosidade. Quando não se sentia ameaçada, abria as portas do seu coração, era  uma pessoa doce, uma simpatia, uma mulher com um enorme sentido de responsabilidade.
As vicissitudes da vida, levaram a que nem sempre tivesse feito as melhores escolhas, quer por imaturidade, mau aconselhamento ou pressões familiares. Agora sofria na pele as consequências.
Um casamento desfeito, um marido que fora prepotente, opressor e agressor, e os filhos com que ficara.
Ela vivia a maior das solidões e pensava pôr termo à existência. Estava à beira da loucura, perdida, numa cidade onde tantas pessoas se cruzavam, alheias ao seu sofrimento, onde a ausência dos afectos, de uma mão verdadeiramente amiga, era uma realidade pesada.
O que poderia representar para a Sociedade? Que valor teria? Teria valor, sim, apenas para os seus filhos... para mais ninguém. Para o Estado, seria apenas mais um dado estatístico, um número...
E o Governo apregoava, à boca cheia, através do seu representante, o Sr. Primeiro-Ministro, Engº. José Sócrates, que a crise era uma miragem, um devaneio da oposição, que iria cumprir as metas do crescimento económico e que as estatísticas não eram fiáveis... Que o desemprego estava a baixar... Que os grandes investimentos tinham  que se cumprir, a bem do progresso e de um país moderno...
Não, Sr. Primeiro-Ministro! Um país cada vez mais pobre, um país de muitas Marias sofredoras, um país à beira do colapso social, um país de pobreza envergonhada, de famílias desesperadas, um país de seiscentos mil desempregados, por enquanto... Portugal, o meu país!!


Written by: Isabel Vilaverde
Junho de 2010

terça-feira, 25 de maio de 2010

SOMOS SERES COM COMPAIXÃO?



Se é verdade que todos nos perdemos uns dos outros pelas vicissitudes da própria vida, também não é menos verdade que nos aproximamos uns dos outros, nos momentos de maior sofrimento.
Perante tais circunstâncias, como por exemplo, a morte de um familiar, um acidente de viação do nosso melhor amigo, paramos para meditar sobre a vida, a condição humana, quão efémera é, quão frágeis  nós somos...
Perante a inevitabilidade, percebemos que a vida é demasiado preciosa para tantas vezes a desvalorizarmos. Como tal, confrontados com a dor que nos dilacera, passamos a valorizá-la, dando atenção às pequenas coisas e aos momentos partilhados.
Todos somos, mais ou menos, egocêntricos. Achamos sempre que a nossa dor é diferente da dor sentida pelo outro. Na verdade a dor é uma só, com milhares de rostos, somente exteriorizada de modo distinto, de acordo com as raízes culturais de cada um e com a capacidade pessoal em lidar com ela.

Mas, ponderemos um pouco: somos seres com compaixão? No sentido lato, não creio. Não me refiro à compaixão subjacente às religiões.
Refiro-me, sim, à compaixão que existe em nós, à nossa disponibilidade interior para nos darmos aos outros, tão  pouco visível ainda,  tão pouco praticada, nesta Sociedade cada vez mais solitária, na qual se morre de solidão...
E morre-se de solidão nos grandes centros urbanos, em casa, num qualquer canto na rua... Porquê? Porque estamos distantes uns dos outros, exactamente por falta de compaixão.
Se todos pudéssemos fazer um esforço para aprofundar os sentimentos da partilha, da proximidade e do altruísmo, saberíamos viver com compaixão.
É, através da compaixão, que as Sociedades se poderão tornar mais justas, mais humanizadas, mais fraternas e mais fortalecidas.


Autora: Isabel Vilaverde
Maio 2010

Desenho: Autor desconhecido.


 
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