quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

DEVANEIO DE UM PINTOR


Procuro-te nos contornos da tela,
Nos finos traços, nos retoques, nas cores,
És o objecto da minha paixão solitária,
Das minhas noites de insónia,
Da abstracção do tempo...
Navegas em mim, perpetuando o sonho de ter-te, quero-te perfeita!
Semicerro os olhos, já cansados,
Na ânsia de pintar-te,
De fazer-te existência,
Bebo, em ti, a doçura desses olhos
Que lânguidos me olham
E me fazem vibrar de emoção,
Preencho o teu corpo nu
Com a tinta da loucura,
Pinceladas ardentes,
Brotam dos meus dedos já dormentes,
Vou-te criando, pintando a formosura,
Afinando a cintura,
As ancas, cheias, voluptuosas,
E as coxas generosas,
Pinto-te com suavidade os seios,
Botões minúsculos erguidos,
Oferecidos às carícias do meu devaneio...
E as mãos delicadas como rosas,
Não como, não durmo, vivo somente para ti,
Quero ver-te por inteiro,
Desenho-te os lábios vermelhos, carnudos,
Entreabertos ao prazer dos beijos
Que fantasiam o meu entardecer,
Mais um toque de pincel nesse teu olhar de mel
Repousando agora em mim,
Contemplo-te, em êxtase, musa minha!
E posso descansar por fim.

Written by: Isabel Vilaverde
Dezembro de 2011


Tela de: Lou Poulit.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

UM DIA ACORDO E É NATAL


Um dia acordo e é Natal…
As ruas desertas, as pedras molhadas,
O vento fininho que enregela a pele,
O silêncio que se abate sobre o dia,
Partilham-se sorrisos, estreitam-se braços,
Lá dentro das casas reina paz e harmonia,
E cá fora, Senhor?
Vê como deambula, triste pela rua, gente em farrapos!
Sem tecto, sem sorrisos, sem abraços,
Mãos calejadas apertam-se ao frio,
Deitam o corpo de sonhos vazio,
Cruel este mundo que a tantos nega o direito a viver...!
Carregam o fado que lhes embala a dor,
Deixam a miséria, o abandono, nas esquinas,
Nos vãos-de-escada, na calçada,
Debaixo de cartões, de caixas vazias como a sua alma,
Procuram o aconchego como se fosse um cobertor,
Porque é assim, Senhor?
Como pode ser Natal,
Se chora o meu coração de ver tanto desamor, tanto mal?
A noite fria esconde-te o rosto enrugado,
Fechas os olhos em lenta agonia,
E o teu corpo, empedernido, adormece mutilado.
Gostaria que os gestos de solidariedade,
Te resgatassem do sofrimento, cada momento,
Sem espaço no tempo,
Um dia acordo e é Natal…
Quem dera que o fosse para ti, todos os dias!


Autora: Isabel Vilaverde
16/12/2011

Imagem: Google.

sábado, 10 de dezembro de 2011

LIMITE DE NÓS


Procuro as estrelas
Que nos teus olhos cintilam,
E as mãos, puras sedas,
Que o meu corpo nu acariciam,
Rodopiam os nossos corpos
No amarrotado dos lençóis,
E os corações unidos,
Num respirar de emoções.
Pedaços de céu sentidos,
Nos beijos arrebatados,
Nos lábios carnudos, mordiscados
Procuro-te neste azul mar navegado,
Onde o amor é o limite de nós,
Num presente ilimitado.

Written by: Isabel Vilaverde
Dezembro de 2011.
Imagem: Autor Lou Poulit.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

NUM MINUTO



Num minuto, apenas num minuto,
Pequena, esvoaças pousando graciosa
Nas flores que beijas,
Num minuto, apenas num minuto,
O derradeiro,
Aos meus olhos adormeces...
Pego-te, delicadamente, de asas inertes,
Alegraste o meu jardim,
Já não te tenho...
Sinto a lágrima quente descer em mim lentamente,
Num minuto, apenas num minuto,
Fui feliz, sim.

Autora: Isabel Vilaverde
(@Todos os Direitos Reservados).
Novembro de 2011

Imagem: Google.


quinta-feira, 24 de novembro de 2011

MEU QUERIDO BLOGUE



E foi assim que em Novembro de 2009
Te conheci...
Recebi-te nos meus braços, contigo sorri,
Dividi silêncios, amei-te,
Escutaste os meus medos, os meus desabafos,
Conheceste as minhas fragilidades,
Foste o meu aconchego, o ombro amigo
Em momentos de solidão,
O luar que me iluminou na escuridão,
Foste o espaço que preencheu o meu vazio,
A dor da perda, a raiva, o devaneio...
Foste a almofada macia onde me deitei,
Contigo sonhei,
Foste a folha onde minhas lágrimas verti,
Contigo deixei pedaços de mim,,
Não precisei  de fingir,
Desnudei-me e amei-te somente,
És o meu Porto dos Sentidos,
É a ti que continuarei a amar
E a dedicar momentos de inspiração,
Obrigada por estares aí.

Com toda a dedicação.


Autora: Isabel Vilaverde
(@Todos os Direitos Reservados).
Novembro de 2011


Imagem: Google.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

NO VAZIO DA LUZ



Morre lentamente o dia no vazio da luz...
No vago tempo perdi-me dos teus abraços,
Espraiam-se marés de mágoas e  cansaço,
Na noite que chega bordada a finos traços,
Baloiça a saudade no vaivém das ondas,
Dos beijos de fogo em mim apagados,
Sentidos, murmurejados, em nós sufocados,
Afagos dolentes nos corpos tocados...
Sonetos de amor, por nós declamados.
Trago esta ausência em mim,
Fado de adormecidos silêncios
Que me choras no regaço,
Por vezes nem sei quem sou, o que quero,
Para onde vou, porque fico assim...
Busco o sorriso que se perdeu,
Preciso de ti neste poema
Que respira a loucura de amar-te ainda,
Amor improvável que dentro de mim resiste,
É a dor no peito guardada,
Que escreve este poema triste.

Autora: Isabel Vilaverde
(@Todos os Direitos Reservados).



Imagem: Nu Artístico de Vlados.



quarta-feira, 9 de novembro de 2011

O POETA



Palavras são veias dentro do corpo
A pulsar de emoções,
São seiva de amor e dádiva,
De entrega, sofrimento e dor,
Silentes, se dão no tempo
Como a alma do poeta
Que as abraça em fogo lento...
E se consome na chama,
Morrendo sempre nas palavras,
Renasce sempre no poema.

Autora: Isabel Vilaverde
(@Todos os Direitos Reservados).
9 Novembro 2011

Imagem: Google.


terça-feira, 8 de novembro de 2011

UM DIA PARTIREI



Um dia partirei
Das manhãs orvalhadas,
Dos dias, das horas,
Das noites vazias,
Das estrelas dos céus.
Um dia partirei
Dos teus olhos,
Do fogo do teu corpo,
Dos teus beijos,
Do teu perfume,
Da tua pele veludo,
Das tuas palavras.
Um dia partirei
Dos teus abraços,
Do teu sorriso,
Desse cais
Onde entrego a paixão.
Um dia partirei
Como gaivota esvoaçando em liberdade,
Partirei sem culpa,
Deixando, em ti, a saudade.


Autora: Isabel Vilaverde
(@Todos os Direitos Reservados).
8 Novembro 2011

Foto: Vlados.



quinta-feira, 3 de novembro de 2011

SOU



Sou o rio que corre lento
Nas tuas margens,
O vento que te canta
E te desassossega,
A palavra que te escreve
E te liberta,
Sou o pulsar da vida
Que te sustenta,
Sou a tela que te guarda,
A história que te conta,
Sou a ave que no teu abraço
Repousa,
O luar que te adormece
E encanta,
Sou o mar que te navega,
A corrente que te desprende,
Enlaça e prende,
O labirinto que te conduz
Às colinas do meu corpo,
Que te arrasta docemente,
Sou o beijo ardente
Que te encontra, a felicidade,
O momento breve,  a lágrima,
Sou o lamento, o findar das horas,
O passar dos dias, o tempo,
E neste ser...
Sou o tanto que fica por dizer.


Autora: Isabel Vilaverde
(@Todos os Direitos Reservados).
Novembro de 2011

Foto: André Brito.


segunda-feira, 31 de outubro de 2011

UM NOVO ACORDAR


Voa pelo mar dos meus sentidos,
Como se fosses gaivota e eu o luar,
Beija-me, como o sol beija a terra
E acaricia a vida,
Vem em mim pousar,
Desbrava a seara erguida,
Prende-me, inteira, nos teus braços...
Não deixes que a ausência
Me desfaça em pedaços,
Permanece em mim,
Como a eternidade num só momento,
E canta à chuva, canta ao vento,
Submerge-me...
Exulta de mim,
Faz-me o teu respirar,
Ouve-me e não perguntes
O que te não sei responder,
Deixa-te comigo assim ficar,
Nas asas do tempo...
Abracemos, juntos, um novo acordar.

Written by:Isabel Vilaverde
Outubro 2011

terça-feira, 11 de outubro de 2011

MENINO-ESPANTO


Menino-espanto de brilho no olhar,
No rosto traz encanto e doçura para dar,
Sonha com um mundo perfeito,
Mas é tão vago o seu despertar.

E nessa tristeza vagueia...
Menino de Angola, Moçambique ou Timor,
Nos quatro cantos do mundo,
É sempre igual a sua dor.

Por esses xipamanines veste-se de sonhos,
E de lágrimas a rolar, quer que a guerra acabe,
A que lhe rouba o sorriso e os braços para o embalar.

Traz no coração a força de acreditar,
De mãos vazias de afectos, agarra a ténue esperança,
De um dia poder viver e ser somente criança!

Written by: Isabel Vilaverde
Setembro de 2011

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

AOS MEUS AMIGOS E SEGUIDORES

«PALAVRAS NOSSAS» - COLECTÂNEA DE NOVOS POETAS PORTUGUESES.
Uma Obra Poética, de que me orgulho fazer parte, que prima pela
novidade e diversidade.
Uma "lufada de ar fresco" no panorama da poesia em Portugal.

Em NOVEMBRO nas Livrarias de todo o país. Uma Obra imperdível,
com a chancela da ESFERA DO CAOS - EDITORES, uma de entre as
melhores Editoras do país.

Um abraço poético!
Written by: Isabel Vilaverde, video

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

GUARDO AS PALAVRAS


Gosto da tua voz...
De ouvir-te ao cair do dia,
De ondular-me aos afagos
Dessa doce melodia, tocada nas palavras,
E penso-te...
Encurto a distância que nos separa,
Consigo sentir-te,
Acariciar-te, como a brisa acaricia a noite,
Falta-me o brilho dos teus olhos,
Reflectido no silêncio dos gestos por acontecer,
Não tenho pressa...
Guardo as palavras para um dia te dizer.

written by: Isabel Vilaverde
Setembro 2011

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

FILHOS DA TERRA


Gosto de ver barcos, traineiras coloridas
No sol-poente a  deslizar...
Ou quando a Lua alta mora,
E espreguiça o seu luar.

Gosto de ver a Serra solitária,
E as aves, tão leves, a planar,
Nas calmas águas deste rio Sado,
Onde navega gente guerreira do mar.


Filhos da terra,
Homens bons, simples e crentes,
Nunca se deixam dominar.

Pelos momentos de infortúnio,
Quando ondas se agigantam,
E lhes roubam a esperança de voltar!

Written by: ISABEL VILAVERDE
Setembro de 2011

DEVO ESQUECER-TE


Quisera, por minhas odes, esquecer,
Um tempo longínquo de promessas e querer,
Em que o sorriso nos meus lábios ficava,
Até ao despontar do amanhecer.

Neste sussurrante lamento,
Cada gota de chuva me lembra da saudade,
Dos beijos rubros da tua boca,
Dos afagos e carícias, momentos de felicidade.

Devo esquecer-te, eu sei,
Sonhar outras manhãs, outros jardins em flor,
Enterrar este passado e com ele a minha dor.

Talvez o faça, não sei... e espere, diáfano, outro amor,
Mais forte do que senti, sem medo de vê-lo partir,
E em Primaveras me entregue, inteira, de novo a sorrir!

Written by: Isabel Vilaverde
Setembro de 2011

VOU NAVEGANDO ESTE MAR


Momentos tenho não sei quem sou,
Procuro-me a todo o instante,
Por esses caminhos leva o corpo,
Por vezes, uma alma errante.

Mas não desisto, eu vou,
Com vontade de chegar,
De ver os teus braços erguidos,
À espera dos meus abraçar.

Vejo outros por mim passar,
Com pressa e sem parar,
E eu sempre devagar...

Vou navegando este mar,
Renascendo em cada dia,
O tempo de ser e de ficar.

Written by: ISABEL VILAVERDE
Setembro 2011

sábado, 17 de setembro de 2011

TEMO


Temo que as palavras
Não digam tudo o que sinto,
Temo que o silêncio
Não chegue para dizer o quanto te amo,
Temo que um beijo seja pouco
Para atear a fogueira de sentires,
Temo que o tempo seja breve
E me roube o "nós" e o amanhã,
Temo que a vida me leve
A felicidade num sopro,
Temo que um sopro me baste
Para me sentir feliz!

Written by: Isabel Vilaverde
Setembro 2011

sábado, 10 de setembro de 2011

IN MEMORIAM (11 de Setembro 2001)



Nesta folha em branco, quereria escrever os nomes de todas as pessoas que pereceram naquele fatídico dia 11 de Setembro de 2001...
O coração da América foi ferido de morte. O seu orgulho manchado, pelo aviltamento e a monstruosidade de um homem, de uma seita, de um grupo que age e espalha o terror, em nome de uma suposta "Libertação"...
Tentáculos, poderosos, chegam aos quatro cantos do Mundo, numa dança cega de ódio, violência e fanatismo, num desejo mórbido de o controlar...
Vidas interrompidas abruptamente... Despedidas emocionadas de pais, de filhos, de esposos e de amantes, presos, por segundos, à vida. Outros, nem tempo tiveram para dizer a palavra «Amo-te» ou a frase «Não me esqueças», impotentes, perdidos como grãos de areia, numa gigante duna, que num ápice se desfez! Gente obrigada a morrer, sem piedade, só porque estavam, àquela hora, no local errado. Bonecos usados, manipulados como marionetas, nas mãos de um louco!
Um cheiro a morte antecipada. Um inferno de chamas engolindo, com avidez, os corpos inocentes... Nuvens de pó negro, adensadas, esconderam o NADA que restou do World Trade Center, em Nova Iorque. Apenas escombros, ferros retorcidos e dor, muita dor, ali ficou no meio do betão...
Vidas que lutaram para salvar outras vidas, esquecendo-se da ameaça que pairava sobre a sua própria vida. Não havia tempo para pensar. Só podiam pensar com os pés e correram, muitos deles para o abismo.
Sonhos perdidos  para sempre... Uma história de dor, de saudade  e de muito sofrimento ficou nos que ficaram para contar a história.
Lágrimas caíram em rostos anónimos, de todas as cores e de todos os credos. O Mundo, atónito, tentou perceber o que era a completa e total incompreensão do gesto. E todos nós perecemos, um pouco, naquele dia...
Hoje, reflicto sobre aqueles momentos. Visualizo, na minha memória, as imagens de terror. Ouço, por instantes, os gritos aflitos das pessoas.
Reforço, em mim, de entre os demais valores que  me foram transmitidos, o significado da palavra Igualdade.
Ali, naquele lugar onde tudo aconteceu, entre aqueles homens e aquelas mulheres, esvaeceram-se diferenças. Ricos, pobres, indigentes e sem-abrigo, foram apenas pessoas iguais a lutar pela vida. 

Autora: Isabel Vilaverde
Setembro de 2011

Imagem: Google.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

FOGUEIRA


Dei-te os meus lábios, o meu ser,
Dei-me inteira nas tuas mãos, amor,
Gestos de ternura que os teus braços desprenderam,
E serena a Minh 'alma rejubilou em flor,
Fogueira ateada de palavras,
De carinhos, de desejos mudos,
Foi cobrindo de beijos, saciando na pele,
Os nossos corpos desnudos,
Dei-te o meu sentir, os sonhos, dei-te tudo,
Deste-me a razão de te amar,
E os versos, estes que te escrevo,
São todos para te dar.

Written by: Isabel Vilaverde
Setembro de 2011

sábado, 3 de setembro de 2011

SE PUDESSE ESCOLHER SER OUTRO ANIMAL


Se pudesse escolher ser outro animal, teria extrema dificuldade... Pássaro, peixe, mamífero ou planta. Gosto de todos. Mas qual o critério da escolha? Temos de escolher de acordo com critérios, não temos? Talvez pelo tempo de vida que teria, pelo que está predeterminado para cada espécie. Mas não é certo, nunca é certo! Umas vezes esperamos muito e é pouco. Outras, esperamos pouco e é mais...

Pensando em ser pássaro, não viveria muito, se vivesse o que está predestinado. E se pertencesse a uma espécie não protegida ou fosse, daquelas que os caçadores apreciam, uma perdiz ou rola, estaria sujeita a morrer cravada de chumbos! Que morte horrível... também não se escolhe a morte (ou já se pode escolher). Mas se nada disto acontecesse, poderia planar, sentir-me superior aos outros e vê-los a todos, fossem quem fossem, como minúsculos pontos, espalhados pela terra, vales e montes. Tão inúteis e tão iguais seriam para mim... Sim, porque eles, os humanos, parece que não se entendem... Teimam em julgar-se uns mais importantes do que os outros, e mais e mais... Que desperdício de tempo! E eu, pássaro, teria a liberdade de pensar o que achasse, de voar para onde quisesse. No entanto, estaria presa a uma curta vida e não poderia mudar nada.

Se escolhesse ser peixe? Viveria no fundo dos mares, entre rochas e cardumes, algas marinhas e intrusos e barcos naufragados e corais... Teria a liberdade do movimento, desfrutaria da beleza que só alguns têm acesso, mas enfrentaria muitos perigos. Seria o alimento de outros peixes, de crustáceos. Teria de lutar muito por uma curta vida. Hum... não sei.

E se escolhesse ser mamífero? Dependeria onde vivesse. O lugar onde nascemos e onde vivemos, condiciona-nos ou não. Se fosse um animal de porte médio, em África, uma impala, um palanque, uma corsa, uma zebra, viveria rodeada de espaço, de paisagens magníficas, assistiria a um pôr-do-sol fantasticamente vermelho acompanhar o início do meu descanso... Teria a liberdade de correr (outra vez a liberdade), sempre a liberdade, acima de todas as coisas, quantas vezes até da própria vida! Sim, porque uma vida prisioneira não é vida, ou será? Teria de ser muito ágil para não ver a minha vida encurtada por um predador qualquer. Se tivesse escolhido ser uma leoa, teria de caçar muito para sobreviver. Fazer longas esperas, faminta, para alimentar-me e à minha prole e ainda o leão preguiçoso. Este desfrutaria do meu trabalho, do meu empenho e só no final, deixaria um naco de carne ou uma ossada, isto é, se estivesse saciado e bem-disposto... Esta atitude parece-se, às vezes, com a de alguns humanos...

E se fosse uma planta? Se vivesse em casa, num vaso qualquer, dependeria de quem me regasse para não murchar e morrer. Perderia, de vez em quando, partes de mim, e se não me esquecessem, renovar-me-ia até um dia... E se existisse na Natureza? Dependeria da chuva. E se a seca tornasse árida a terra, morreria mais depressa. Se o granizo desabasse e me queimasse ou um frio intenso, morreria. Se não, renovar-me-ia na Primavera, até um dia... Ficaria sempre tão dependente. Chego à conclusão que fosse eu qualquer outro animal, teria sempre a minha liberdade ameaçada. Teria de lutar muito para sobreviver, como agora faço e nada poderia mudar. Viveria muito ou pouco, não dependendo só de mim, mas também do que os outros fizessem.

Enquanto animal humano, luto pela liberdade, pela sobrevivência, pelos ideais, pela igualdade. Derrubo as barreiras da intolerância, venço o medo, desejo a mudança das mentalidades que aniquilam todas as espécies. Luto pela sua preservação. Desejo que todos se unam em torno de um bem comum, de uma maior e melhor justiça social. Desejo que a palavra PAZ seja sentida por todos os Povos.

Sou parte de um todo, gosto de ser o que sou. TODOS somos importantes.

Written by: Isabel Vilaverde
Setembro 2011

domingo, 14 de agosto de 2011

DOMINGO


Hoje é Domingo. Não gosto dos Domingos. Apesar do silêncio que se sente aos Domingos, e eu gosto do silêncio, ele pesa-me.
Revisito as minhas memórias. Sinto a falta das tuas gargalhadas, dos pequenos "nadas" que me faziam feliz. Levantávamo-nos, mais tarde. Um de nós preparava a bandeja com os pequenos-almoços. Preguiçosamente, encostávamos as macias almofadas à cabeceira da cama e sentávamo-nos, plenos de felicidade, a degustar esses momentos verdadeiramente íntimos, verdadeiramente nossos.
Falávamos, despreocupadamente, de nós, do nosso amor, com um brilho no olhar. Recordávamos a entrega, um ao outro, dos nossos corpos, serpenteados por ondas de prazer,   nos finos lençóis amarrotados. A noite  fazia-se longa, até o pipilar dos pássaros se ouvir, prenunciando o acordar do dia. Como era bom sentir essa sensação de pertença. Como era bom viver esse amor partilhado e cúmplice. Como era bom sorrir-te e amar-te, sem esperar o vazio que uma noite, mais fria do que todas as outras, trouxe à minha vida. Espreito a janela indiscreta da saudade... Um dia fechá-la-ei, tenho a certeza, quando abrir novamente a porta do coração para receber a visita de um amor digno, que me subleve do tempo das folhas de Outono, jazidas pelos caminhos que percorro, na ausência e na esperança.
Hoje é Domingo. Não gosto dos Domingos, já o disse. Lembram-me os nossos silêncios, que o silêncio dos Domingos transformou em grito.


Written by: Isabel Vilaverde
14 Agosto 2011

sábado, 6 de agosto de 2011

AOS MÁRTIRES DE UTOYA (NORUEGA)


Diz-me, Deus, se existes
Porque deixas naufragar
Neste mar, os meus sonhos?
Só esperava de ti, amor
Poder deixar esta terra, a sorrir!
Preciso acreditar num mundo novo,
Sem ódios, sem invejas, nem sonhos a ruir,
Nem rios de sangue a correr,
Quero encontrar-te na paz dos arvoredos,

Na imensidade dos mares,
Nas montanhas, nas nuvens
Nos luares,
No encontro das almas sem cores,
Nos gestos de ternura,
Na suavidade das palavras,
E soltar risos e dar abraços,
E acreditar num mundo onde a vida
Seja um bem inestimável, não se banalize,
Seja uma força que derrube a insensatez da morte,
O sofrimento e as crenças cegas, sem norte!
Quero sentir-te no aroma das flores,
Ouvir-te, no canto alegre dos pássaros,
Viajar-te no labirinto das cidades,
Sem medo ou lágrimas inúteis,
Não quero silenciar-me à vossa dor,
Os vossos sonhos ruíram sob o silvo de balas certeiras,
Da frieza do gesto, um mar de sangue correu,
E o grito ecoou no mundo inteiro,
Porquê tanto ódio, em vez de amor?
A cada mártir ofereço uma flor e, como mãe,
Um céu chuvoso, um cântico triste em vosso Louvor.


Written by: Isabel Vilaverde
Julho 2011

quarta-feira, 20 de julho de 2011

NO SILÊNCIO DAS CORRENTES


No rosto do tempo guardo o teu sorriso,
A candura do teu olhar acorda-me memórias,
Notas dolentes de violinos a tocar, 
Passeio a saudade neste cinzento cais onde me encontro,
E, às vezes, no silêncio das correntes,
Navego barcos desbotados de cores.
Ah! Como sinto o teu corpo, os beijos de fogo ardido,
E o teu riso de tontaria que me prendeu de amores...
Caminhamos, lado a lado, como as gaivotas,
Pousadas no areal ao entardecer do dia,
É esta a paz que sinto, meu amor.
Sei que o Inverno chegará no pálido crepúsculo,
Não tenhas medo, dá-me as tuas mãos, sorrindo,
Haverá sempre Primavera nos meus olhos,
Para te olhar, prometo-te,
E vento no meu corpo para te desejar,
E ribeiros de águas transparentes para te amar.


Written by: Isabel Vilaverde
JULHO 2011

sábado, 16 de julho de 2011

NÃO BASTA


Não basta dizer palavras
Se o coração não sente,
Tão-pouco abrir os braços,
Quando o amor está ausente,
Não basta fingir alegria,
Se em nós mora nostalgia,
Nem falar no amor que virá,
Quando a mágoa nos fere por dentro.
Não basta sorrir aos dias,
Se a tristeza se esconde em nosso olhar,
Nem fingir felicidade quando a solidão nos dói,
Ou inventar gestos quando a consciência nos mói,
Não basta querer amar se não virmos à nossa volta,
Que nunca é o que se vê, quando olhamos distraídos,
Não basta querer fechar atrás de nós uma porta,
É preciso adormecer e acordar devagar,
Para  podermos conjugar de novo o verbo Amar.


Written by: Isabel Vilaverde
16 Julho 2011

domingo, 10 de julho de 2011

UM DIA PROMETEMOS


Um dia prometemos
Que o Sol nos beijaria
Os rostos pela manhã,
Os braços nos abraçariam
A nudez dos corpos,
A chuva a ouviríamos juntos
A bater na vidraça,
Um dia prometemos...
Ser abrigo ao vento norte,
Cobrirmos de beijos
Nossas bocas sequiosas,
E o amor seria ponte
Nos dias invernosos,
Um dia prometemos...
Florescer Primaveras,
Vivermos Verões tórridos,
Contemplarmos Outonos,
Atravessarmos o Inverno
De mãos dadas,
Um dia prometemos...
Plantar todos os sonhos
Num jardim só nosso,
Darmos vida a outras vidas,
Entre acácias a florir,
Rosas e margaridas,
Um dia prometemos...
Ter um baloiço para embalar
Os corpos franzinos
Dos filhos bem-amados,
E aos dias, aos meses, aos anos,
Oferecermos sorrisos,
Paciência e silêncios partilhados,
Um dia prometemos...
Se fossem longos os desertos,
E as lágrimas ofuscassem o brilho do olhar,
Não sentirmos solidão,
Sermos um só coração, um só corpo para amar,
Um dia prometemos...
E de todas as promessas que fizemos,
Beijo hoje os rostos dos filhos bem-amados,
Tudo o mais... palavras à deriva, num sonho vão!


Written by: Isabel Vilaverde
Abril 2011

sábado, 9 de julho de 2011

CAIS DE AMOR



Dá-me a alma de um poeta
Para nela escrever saudade,
Dá-me o Sol para te sentir,
O infinito para viver eternidade,
Dá-me o mar para navegar
Marés de espuma, vagas de sonhos,
Dá-me uma ilha para descobrir,
Um cais de amor para atracar.

Autora: Isabel Vilaverde
(@Todos os Direitos Reservados).
Julho de 2011

Imagem: Autor desconhecido.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

A VIDA INTEIRA


É de silêncios
Que as nossas mãos falam,
E de murmúrios
Que os nossos corpos se embalam
No desejo de se amar,
Na voz suave do tempo,
Os olhares permanecem
Extasiados, no sentir
De um beijo profundo
Que toca Minh 'alma incrédula,
Quebram-se as amarras do tempo,
De lembrar outro tempo
Sem paixão, sem loucura,
Abrem-se as manhãs ao devaneio,
Ao acordar tímido...
Ao abraço que o amor tornou forte.
Já não sinto a dor no peito
Nem o vento norte,
Tão-pouco o coração prisioneiro,
Tenho tudo em mim para viver,
Tenho a vida inteira para te amar.


Written by: ISABEL VILAVERDE
Junho de 2011
Imagem: Auguste Rodin

quinta-feira, 16 de junho de 2011

SÓ A LUA SORRI PARA MIM


Cobre a neblina o Pico da Montanha
Majestosa,
Sentada, penso-te...
O silêncio traz o calor do teu abraço,
O sabor do teu beijo intenso,
A ternura do teu olhar,
E a lembrança das mãos dadas
Nos passeios à beira-mar
Na cidade cheia da embriaguez dos dias,
Tão longe estás da bruma deste mar
Que me enche os olhos,
Belo, o pássaro que no seu voo
O meu sonho vem agitar,
Tão alto no seu planar,
Tão livre no seu voar...
Cai a noite sobre a montanha de mansinho,
Espreitam estrelas o céu devagarinho,
Deito o corpo na terra húmida e fria,
Adormeço no sono que chega,
Não quero sair dali,
Neste encontro de amor e solidão,
Só a lua sorri para mim.



Written by: ISABEL VILAVERDE
16 Junho 2011
Imagem: autor desconhecido.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

MINHA PÁTRIA MEU AMOR



Tanta gente, tanta!
E esta saudade informe
Como chama no meu peito...
Passeio por Lisboa ao entardecer,
No Rossio tomo um café
Sigo os passos de Pessoa.
Visito Alfama, a Madragoa,
E o Tejo a meus pés
Evoca epopeias de outras eras,
De outras lutas, de outras crenças e fé.
Piso a calçada irregular, marcada pelos carris
Dos eléctricos amarelos a passar.
Destino, encontro de amores desencontrados...
De amantes enlaçados pelos becos da loucura,
Poesia, saudade, guitarras e fado,
Pergaminho de um país bem ou mal-amado,
Com sangue,  suor e lágrimas conquistado!
Meu país viajado, país de um povo afirmado,
Às vezes esquecido, tantas outras adiado....
Quero acreditar que um dia te erguerás,
Que outros mares navegarás como Vasco ao partir,
Contra ventos e tormentas o seu sonho fez cumprir.
Sei que triunfarás com brilho e esplendor,
Calarei em mim o grito, o grito que agora me sufoca,
Portugal, meu país, minha pátria, meu Amor!


Written by: Isabel Vilaverde
(@Todos os Direitos Reservados).
10 de Junho de 2011

Imagem: Google.


sexta-feira, 3 de junho de 2011

PEDIDO DERRADEIRO


Mergulho o olhar
No bater forte do teu esbracejar
Contra as rochas,
Liberto notas dolentes de angústia,
Sinto a força de um mar
Que sufoca dentro de mim,
Porque me fustigas, diz-me?
Porque destróis os meus sonhos assim?
Vil tempo que me atormenta
A cada dia que passa,
O infindável das horas que me domina
E me conduz à loucura,
Já nada espero, devo?
Já nada sei, tudo desaprendo!
Os versos perpassam o sussurrante grito
Num pedido derradeiro,
Se eu partir...
Lembrem-se de mim, com amor no vosso coração.

Written by: ISABEL VILAVERDE
JUNHO 2011
Foto: Daniel Cândido da Silva

sábado, 28 de maio de 2011

NOS BEIRAIS DA MINHA INFÂNCIA




Bastava um sorriso teu,
Uma palavra, um olhar,
Para me sentir acompanhada,
Bastava um beijo teu, meu amor,
Para atravessar o deserto
Sem medo de nada.
As sombras da noite transformavam-se
Num terno abraço,
Partilhado numa alvorada  plena de cansaço, oh doce cansaço!
Habitas, ainda, o meu coração,
Se hesito dá-lo a outro Ser é porque o amor por ti não morreu,
Apesar dos dias que passo sem te ter.
Cai chuva miudinha dos meus olhos,
Nos beirais da minha infância solto risos, improvisos, rodopios,
Brincadeiras que não esqueço,
E nessas memórias longínquas do tempo, por instantes, permaneço...
Guardo, ainda, a improvável inocência na alma
Desses tempos de menina.
Hoje, mulher, enfrento desafios, quantas vezes decidida,
Outras  tantas com passos lentos...
Curvada no desalento, porventura, vencida.
Trama desta vida!
Gotejam os olhos, vazios do teu olhar,
Procuro-te nestes versos imprecisos,
Sem tempo, sem espaço e sem sorrisos.

Autora: Isabel Vilaverde
(@Todos os Direitos Reservados).
Maio de 2011


Foto: Cidade de Nampula, Moçambique.



sexta-feira, 6 de maio de 2011

LEMBRAS-TE?

Lembras-te?
Quando, ao cair da noite,
Sentados, olhávamos a relva molhada,
E trocávamos, extasiados, palavras com alma,
Ouvíamos o adormecer dos pássaros aninhados,
Lembras-te?
Quando o silêncio se abatia
Sobre o nosso olhar,
E a nostalgia nos tocava o coração
Por termos de voltar,
Lembras-te?
Quando juntos, num abraço de mar,
Navegado de beijos,
Nos embalava um doce sonhar,
Tão pleno de desejo,
Tão cheio de amar,
Lembras-te?
Quando a fresca brisa
Nos acariciava ao luar,
E os braços da Lua, sorridente,
Se estendiam para nos deleitar,
De mãos dadas, os nossos corpos
Sentíamos abandonar,
Que foi feito do amor, de ti?
Que fizemos de nós, de tudo o que vivi?
Desse tempo de ficar,
Presos de quimeras, nas horas,
Nos dias por inventar,
Lembras-te?
Da saudade que ficou em seu lugar?


Written by: ISABEL VILAVERDE
Maio 2011

sábado, 23 de abril de 2011

MÃE



Mãe...
Toco o teu rosto sereno,
Guardo-o em minhas mãos docemente
E uma luz viva, resplandecente, veste o meu corpo.
Os teus olhos cheios de amor, gastos pelas agruras do tempo,
Brilham nos meus feitos mar,
Escondo-te o sofrimento.
Mãe...
Lembro-me de quando me deitava no teu regaço,
E o teu carinhoso abraço me afastava o medo da trovoada.
Mais tarde vieram as desilusões... o cansaço.
Mãe querida...
Percorremos juntas, até hoje, os caminhos da vida,
Rejubilámos alegrias, apoiámo-nos na dor,
Vencemos lutas e lágrimas sempre unidas,
Esquecemos batalhas que não ganhámos,
Viajámos... Aprendemos a amar outras gentes, outros lugares distantes,
Tantos momentos que partilhámos juntas, tantos!
Lado a lado, carregando o nosso fado.
Mãe...
Foste luta, vida agreste, só hoje compreendo o quanto me deste,
Só hoje sinto o quanto me amaste.
Mãe...
Não penses que tudo termina aqui...
Quando passares a fronteira da vida e o teu tempo tiver chegado ao fim,
No meu coração serás sempre semente germinada,
Nunca, nunca morrerás em mim!
E esse sorriso lindo que tens será todas as manhãs o meu acordar,
As tuas rugas, a força para eu continuar.
Quando, nesse dia, aos meus olhos afluir um mar revolto, zangado,
O teu rosto rocha se fizer e eu não puder beijá-lo mais...
Afagá-lo nas minhas mãos como hoje,
Mãe...
Em tua memória plantarei um canteiro de rosas como tanto gostas,
E todos os dias, todos, prometo-te,
Cuidarei dele com ternura e desvelo,
Com o mesmo carinho com que cuidaste de mim,
Beijarei cada rosa, com amor, como agora te beijo querida mãe,
Porque te amo.


Autora: Isabel Vilaverde
Abril 2011



Imagem: Google Imagens.

terça-feira, 22 de março de 2011

O NOSSO ENTARDECER


Regressas agora...
Trazendo nos olhos
Um brilho de paz,
Falas-me sereno
Do amor que sentiste,
Nunca me esqueceste
Nunca te esqueci.
Estendes-me a mão,
E sem pudor contas-me
Da saudade sem fim,
Subimos a escadaria,
De pedras seculares,
Em direcção à paisagem
De beleza estonteante,
É rubro o pôr-do-sol,
Ardente e vibrante,
Como o coração sem norte
Que bate dentro de mim.
De olhar deslumbrado,
Eternizas em fotografia
O sonho de uma vida,
Desvio os cabelos
Que revoltos, brincam
Nas asas do vento,
Não quero perder-te
Um só instante, um só momento,
Primaveras passaram,
Mágoas deixaram
À deriva do tempo,
Deixemos o murmúrio do mar
Para bem longe levar
Todo o sofrimento,
Sintamos, no despontar de cada aurora,
A vontade de vivermos dias de Sol,
Manhãs chuvosas, ocasos,
De sentirmos o aroma das rosas,
Momentos que o tempo fará nossos,
Com a urgência de não deixarmos o amor morrer,
Juntos, nunca será triste o nosso entardecer.



Written by: Isabel Vilaverde
22 Março 2011

sexta-feira, 18 de março de 2011

ESSE MAR (A TRÓIA)


Rasgo memórias que o tempo guardou,
Memórias do mar...
De barcos apinhados, beijando a maré
Até à outra margem.
Memórias da serra... deleite dos olhos,
Sobranceira  ao rio de águas prateadas,
Memórias das dunas... recortando a Península tão bela,
De vegetação rara tão plena,
Morreu no betão coitada,
E a saudade das gentes
No coração ficou guardada.
Percorríamos a pé,
A longa passadeira de madeira irregular,
Até nos sentarmos na areia dourada,
Sob um sol tórrido que nos bronzeava.
Tecíamos sonhos com palavras doces
E beijos ardentes, carícias delicadas
Em corpos ondulantes,
O olhar mergulhado na fina areia,
Que a espuma das ondas, ao de leve, bordava,
Nessas tardes prazenteiras, à beira-mar,
Vestíamos de esperança
A vontade de ficarmos, de eternizarmos esse olhar,
Hoje já não viajamos nos barcos apinhados, beijando a maré,
Mas encontro no brilho dos teus olhos a mesma força de acreditar,
A mesma fé!


Written by: Isabel Vilaverde
Março 2011
 
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