terça-feira, 2 de outubro de 2012

FOLHA DE OUTONO


Breve... serei folha amarelecida,
Esgotada de vida,
Prestes a cair num caminho qualquer...
O verde de outrora, ganhei-o na Primavera quando renasci,
Para novamente o Outono morrer em mim...
Fui sombra que o teu corpo refrescou,
E vento que o teu rosto beijou,
E agora? Agora serei nada...
Apenas uma folha caída sem o fulgor da juventude...
Passarás por mim indiferente...
Quem sabe se alguém me olha, me colhe e leva...
Servirei de arranjo floral...?
Adornarei uma caixinha de cristal...?
Ou, talvez, um postal de Natal...?
É tamanha a incerteza...
À chuva ficarei desamparada, morta nesta florescência,
Até o vento de Outono me levar numa espiral sem retorno,
Deixando nos teus braços a nudez da minha ausência.

Poema de: Isabel Vilaverde
2 de Outubro de 2012


Imagem: Google.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

MEU MENINO


Fecha os olhos meu menino...
Adormece no meu regaço o teu soninho,
Os teus sonhos embalados pela Lua,
Que a noite já espreita de mansinho,
Na cidade silenciosa e nua.

Poema de: Isabel Vilaverde
Setembro/2012




Imagem: Google





 






terça-feira, 18 de setembro de 2012

UM NOVO ACORDAR


Braços pendidos como giestas queimadas
No monte do desespero...
A memória aviva-se por entre a fumaça do tempo
E a alma vagueia vestida de luto...
Há muito que o brilho dos teus olhos se perdeu naquele horizonte,
Onde o sonho e a utopia corriam as noites, os dias,
E eras feliz a cada acordar, lembras-te...?
De olhar turvo, procuras agora uma razão,
E apertado por dor tamanha,
Negas às bocas, famintas, o mísero pão.
Gritas revolta, dilacera-te as entranhas,
Perguntas, então, incrédulo,
Foi para isto que se fez uma Revolução...?
Há muito que as teias do tempo te secaram o corpo
E te abriram rios áridos na pele...
Mas não te silenciaram a palavra!
Não te arrancaram a raiz ao pensamento!
A vontade de te ergueres e exigir um novo horizonte!
Para os filhos desta Nação um novo amanhecer!
Meu País... que definhas aos poucos pela avidez do dinheiro...
Engolido pela ambição desmedida e pela mentira...
Ergue-te, POVO!
Mostra a tua raça a essa gentalha que nos gabinetes te amordaça
E te tece a mortalha!
Jamais te poderão silenciar, jamais!
Quarenta e um anos depois... 
Queres um novo acordar!

Poema da autoria de: Isabel Vilaverde
18/9/2012
Reescrito em: 15/04/2014 e 8/4/2015
(@Todos os Direitos Reservados)


Imagem: Google.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

É URGENTE


Onde está o grito dos poetas,
As notas dos músicos tocadas em uníssono,
E as tuas mãos levantadas, POVO,
A travar o chicote que te açoita impunemente?
Onde estão os corpos erguidos, os olhares convictos,
As palavras firmes, acutilantes,
A apedrejarem a impiedade dos carrascos?
Onde está o peito destemido aberto às balas
A exigir justiça e pão?
POVO, porque trabalhas e cada vez mais está vazia a tua mão?
Onde estão as mulheres e homens guerreiros
Deste país... mortos?
Agonizam já num gueto de opressão,
Famílias sem tecto, fenecem às mãos de um vilão que vos rouba os sonhos,
Para onde caminhas, POVO, para onde?
Trinta e oito anos de Revolução, onde estão??
Perdeste a força para lutar?
Acaso perdeste a razão?
Perdeste a memória do tempo?
Deixas-te vencer... assim?
Acorda, sê firme!
Defende o que é teu por direito,
Honra a memória dos que lutaram antes de ti,
Não te deixes amordaçar, outra vez matar,
Sê POVO inteiro,
É tempo de dizer basta!
É URGENTE DIZER, NÃO!


Poema: Isabel Vilaverde
Setembro 2012
(@Todos os Direitos Reservados)

Imagem: Google


FOGO ETÉREO


Amor...
Dá-me a quietude dos teus braços
Para neles escutar o quebrar das ondas,
Deixa-me sentir o odor da maresia
Nas tardes preguiçosas,
O afago dos teus lábios nos meus a brincar,
E as tuas mãos nas minhas, entrelaçadas,
Como suaves pétalas de rosas,
Deixa-me ficar no som da tua voz, aconchegada
E evolar-me nas tuas carícias e silêncios,
Amor...
Fica nos meus olhos só mais um instante
Até o sono de ti me levar,
Deixa esta alegria florescer em mim,
Vamos descer o leito deste rio a transbordar,
Saciar a sede de infinito,
Na alvorada das suas margens o nosso olhar remansear,
Amor...
Desenha-me na pele o fogo etéreo,
A memória do teu cheiro, o teu poema delirante, o teu amar,
Protege-me do perigo de naufragar,
Fica comigo neste imenso azul à beira de um ameno entardecer.


Poema: Isabel Vilaverde
11 de Setembro 2012

















Imagem: Google.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

JARDIM DE VENTO


Tão distantes os teus olhos estão dos meus...
Humedecem sempre que penso em ti,
E o tempo, amor, o tempo passou por nós impiedoso...
Deixou ondas prateadas no cabelo e sulcos na pele...
Tenho saudades de acariciar os rios azuis das tuas mãos...
Beijá-las como fazia quando estávamos os dois de sonhos perdidos,
A olhar o horizonte com a mesma força de amar.
Já não te tenho... Mas sinto ainda dentro de mim o fogo dos
beijos que trocámos... E quando nos olhávamos, as luas dos nossos olhos
Reflectiam a felicidade que sentíamos.
Hoje tudo é mais triste, mais lento, os dias passam...
Como são diferentes... Correm em paralelo com os teus...
Construí um castelo de saudade onde moro,
Um jardim de vento onde ainda me ergo, qual árvore despida, sem
o teu olhar a atravessá-lo.



Poema de: Isabel Vilaverde
Setembro 2012













Imagem: Google.


quinta-feira, 26 de julho de 2012

SUAVE MELODIA


Tocas-me indelével,
Com a maciez dos teus dedos,
Em pétalas perfumadas e sorrisos,
Desvenda-te meu corpo seus segredos.

Como teclas de um piano,
Tocadas em suave melodia,
São os teus beijos ardentes em mim,
Acordes perfeitos de uma sinfonia.

Mozart, Beethoven, Chopin,
Desenhas-me com um toque de Rembrandt,
Ficas em mim sem tempo de partir.

Mas se um dia de mim partires, inebria a minha boca,
Mata-me a sede da paixão louca,
Deixa em minh'alma um canteiro de rosas a florir.

Written by: Isabel Vilaverde
25-07-2012














Imagem: Google

sábado, 14 de julho de 2012

POR ESSE MAR CHORADO


De repente o riso esvaeceu-se,
A pedra tomou forma no meu rosto,
Já não sei onde vivo e se vivo...
Meu país indefeso jaz deposto.

Acordam brandamente memórias,
De tempos áureos, travessias. descobertas,
De alianças feitas entre povos,
Ao dobrar o Cabo das Tormentas.

Com empenho erguemos gloriosos,
Um país chamado Portugal,
Que trago no sangue e coração.

Por esse mar chorado vou agora,
Já não lhe sinto o sabor a sal,
Mas sim a dor do amargo pão.

Written by: Isabel Vilaverde
Passado para o blogue em 14/07/2012















Imagem: Google Imagens.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

INÚTIL GUETO


Sete letras apenas formam a palavra saudade,
E o grito dentro de mim,
LIBERDADE, LIBERDADE!

Quero ver os barcos ancorados
Na pequena enseada,
O pôr-do-sol no ocaso dos teus olhos,
As nuvens esparsas, um sorriso teu,
Um véu de estrelas luzentes a cobrir o céu.


Quero ver as flores a brotar,
O dia a nascer,
Minha filha a balbuciar a palavra
Que me fez renascer,
Ouvi-la, vê-la sorrir.

Quero abraçar aquela que amo
E todos os outros,
Desenhar no horizonte um rio,
Um luar, uma ponte, e sonhar,
Unir margens e levar comigo
Todos os meninos em múltiplas viagens.

E o grito dentro de mim,
LIBERDADE, LIBERDADE!

Tudo isto só tu vês... não eu,
Fechado que estou neste inútil gueto,
De tudo privado,
Sem saber de que sou culpado.

Privado...? Não, não do pensamento!
Nunca me poderão agrilhoar,
Matar-me a fome de pensar,
O ensejo de saber,
A sede de lutar!

Podem tirar-me tudo,
Chicotear-me,  mutilar-me,
Embaciar meus olhos de lágrimas,
Ensanguentar meu corpo desnudo,
Separar-me dos que amo,
Invadir a minha casa,
Que o meu pensamento, o meu desejo,
Será mais forte que o medo, o degredo,
Sobreviverá por cada mártir,
Feito mordaça às vossas mãos.

E só a morte do meu corpo, digo-vos,
Só a morte calará o grito dentro de mim,
LIBERDADE, LIBERDADE!

Written by: Isabel Vilaverde
09-07-2012

Homenagem a NABIL AL-RAEE e a todos os
mártires, vítimas da guerra e da cobardia dos homens.


















Imagem: Google imagens.

domingo, 8 de julho de 2012

CHÃO DE PAPOILAS


Quero num chão de papoilas me deitar,
Como se fora uma delas,
Meu corpo às carícias do vento ondular,
Meus olhos ao sol ardente fechar.

Quero ouvir a tua voz terna,
Como um fino fio de água a correr,
Abandonar-me apaixonada em teus braços,
Sob um céu de estrelas, vencida, adormecer.

Escuta meu amor os pássaros ao redor,
Num calmo chilrear quase menor,
Sente a mansidão dos campos a dormir.

Como gosto de ti, de me dar enlouquecida,
De beijos nos teus lábios me sentir perdida,
E acordar manhãs a cantar e a sorrir.

Written by: Isabel Vilaverde
Abril 2012 (A publicar).

Imagem: Net imagens.


terça-feira, 5 de junho de 2012

UM LENTO FINDAR



Levaste-me o sorriso,
Um rio deixaste em meu olhar,
Sem querer entender ou ouvir,
Sem saber onde desaguar.

Saudade presa no espaço que o tempo constrói,
Abraços esquecidos nos dias sem fim,
Quebram-se revoltas as ondas nas rochas,
Como se quebram murmúrios dentro de mim.

Silenciosos, vagarosos...
Não têm rosto nem lugar,
São lamentos que a solidão traz.

Que a noite perscruta num lento findar,
Ao fechar meus olhos cegos dos teus,
E guardados em minha boca, todos os beijos para te dar.

Written by: Isabel Vilaverde
Junho de 2012

Imagem: Google imagens.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

ABRAÇO A MOÇAMBIQUE (Canção)




I

Queria dizer-te
Da saudade que em mim mora
Escutar o vento
Na cidade que em mim chora
Libertar este rio, pranto sentido
Beijar-te ao luar
Guardar-te sempre comigo.

II

Beleza infinda
Noites calmas a pulsar
Estrelas brilhando
No céu do meu olhar
Afagos lentos rasgam sol do meu viver
Xiricos trinando
Tardes quentes de lazer.

REFRÃO

Tambores soando
Marrabenta, mapiko são feiticeiras
Dançando no meu corpo
Acesas como fogueiras.

Branca minha pele
Minha alma não tem cor
Neste abraço a Moçambique
Vai todo o meu amor.

III

Risos sinceros de meninos que na praça
Trazem destinos traçados na pele como mordaça
E não sabendo da sua sorte madrasta
Giram velhos arcos, brinquedos de latas
Olhando para quem passa.


Written by: Isabel Vilaverde
Maio de 2012

Imagem: Google.











terça-feira, 24 de abril de 2012

GRITAR LIBERDADE


Em ti escrevo o poema
Mil palavras de ternura
Oh meu país sofredor,
Sinto longa esta espera
Quiçá insana quimera
Outro Abril libertador.
Quero sentir-te de novo
Povo que não esmoreces,
Na luta por direitos permanece
Fazendo ouvir a tua voz,
Quero sentir-te na aragem fresca,
No cristalino das águas
Dessa fonte da sabedoria,
Guardar de ti as memórias
Dos poetas e cantores,
Dos que te choraram as mágoas
E te cantaram as dores.
Eternos sonhadores... Capitães de Abril,
Arrancaram-te dos braços vis
E com determinação
De ti fizeram país!
Aos meus olhos...
Agoniza lenta e fria
A já frágil democracia...
É preciso parar os traidores!
Os pseudo-reformadores...
E esta palavra saudade
Aninhada em meu peito,
É hoje grito enraivecido
A clamar por ti LIBERDADE!


Written by: Isabel Vilaverde
Poema de homenagem à Revolução de 25 de Abril de 1974.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

A SOLIDÃO DA CIDADE


Por detrás das janelas altas da cidade,
Espreitam olhos prisioneiros encovados de saudade,
Rio cinzento...
Corre além como um lamento,
Debruando margens de cansaços,
Solidão marcada em rugosos traços,
Abandono latejas na pele,
Cidade viva, morta aos teus olhos...
Nua, de alma vazia,
Fenece como estátua hirta e fria,
Numa qualquer Praça da cidade,
Acorrentada e mártir, clamando como tu por liberdade,
E o pintor, alheio aos teus suspiros,
Sentado na calçada, sob um céu de nevoaça,
Marca com pinceladas esbatidas de cor,
O teu olhar por detrás da vidraça,
Agora  é dele também a tua dor.

Written by: Isabel Vilaverde
12 de Abril 2012

Imagem: Montmartre 1946

quarta-feira, 28 de março de 2012

terça-feira, 20 de março de 2012

UM POETA, UM AMIGO


Um poeta nunca morre,
É vento que leve passa
E nos roça a pele,
É pássaro que esvoaça,
É mar que nos abraça
Na imensidade do amor,
É grito, paixão e dor,
É silêncio, é fome de dizer,
Às vezes a chorar, outras a rir,
Ser poeta é despir-se de palavras
E vestir-se de amizade,
Colorir, num poema, o arco-íris,
Navegar rios e unir margens,
Fazer da poesia uma ponte,
E amar tudo, todos, é querer,
Um poeta, um amigo,
És tu, Mário Domingos,
Que ficaste, para sempre, no verbo SER.


Written by: Isabel Vilaverde
20 de Março de 2012

Em homenagem ao poeta MÁRIO DOMINGOS,
no dia do seu aniversário.

quarta-feira, 14 de março de 2012

ANTOLOGIA INVERNO - ACORDANDO SONHOS


Aos meus amigos, leitores e seguidores de blogue,
aqui vos deixo o convite para a Sessão de Lançamento
da ANTOLOGIA INVERNO - ACORDANDO SONHOS, no próximo dia
31 de Março de 2012, pelas 18:30, na Fábrica Braço de Prata, em Lisboa.
A apresentação está a cargo da Pastelaria Studios Editora e dos Autores.
Grata pela vossa presença.
Isabel Vilaverde



terça-feira, 13 de março de 2012

MENINO-ESPERANÇA


Olhos espelhados na dor
Não compreende porquê, tanto mal,
Tanta indiferença e desamor...
Vê, sou um menino como tu,
Tenho um céu de ternura no olhar,
Um Sol, um vento, e sonhos e mar...
Os meus pais, os meus irmãos,
Gente que me ama sem condição,
Tenho uma vida e todos os sorrisos em mim,
Guardo, no coração, a esperança de um dia ser um homem, uma mulher,
Não me rejeites, dá-me a tua mão...
Mostra-me o teu amor,
Ajuda-me a ser feliz, ajuda-me a viver.

Written by: Isabel Vilaverde
13 de Março de 2012
Imagem: Net Imagens.

quinta-feira, 8 de março de 2012

MULHER


Ventre erguido, trazes a esperança em bracinhos de ternura,
Olhos fulgentes à espera de um futuro que se faz,
Sempre que um filho te traz o alimento que no tempo perdura,
E te grita todas as dores, todos os ais,
E te clama todos os beijos, todos os sonhos,
E te veste todas as cores, todos os credos, todos os ideais,
Fazes caminho quantas vezes de coração magoado,
Deitas-te no silêncio da injustiça para te ergueres, Mulher-Coragem,
E continuares o teu fado com um brilho no olhar,
Com esperança de chegar!
Mulher, Mãe, Companheira, Amiga,
Sofrimento, Amor, VIDA.

Written by: Isabel Vilaverde
8 de Março de 2012

Imagem: MATERNIDADE de Pablo Picasso.

terça-feira, 6 de março de 2012

CÉU DO MEU OLHAR



Vive, sente o ritmo da vida a pulsar...
Faz de cada momento eternidade.
No aconchego de um abraço o repouso dos dias,
Na carícia de um gesto o teu acordar.
Sonha, acredita que és capaz,
Faz-te barco e sobe a maré,
Faz-te pássaro e voa alto esse céu,
Faz-te torre e rasga o meu olhar,
Descobre em mim o sorriso,
Faz-me o teu luar e o infinito do tempo no teu amar.

Written by: Isabel Vilaverde
Março de 2012

Pintura: Ana Luísa Kaminsky
"Paraíso Azul"




sexta-feira, 2 de março de 2012

AROMA DE JASMIM



Escreve... em mim um poema de ternura,
Declama... os versos da loucura que me prende,
Prolonga... o Sol nos meus olhos,
Soletra... cada palavra com emoção,
Demora... no meu cais as tuas mãos,
Perde-te... do tempo aninhado no meu colo,
Deixa ... que a chuva lá fora caia e o Sol se vá,
Navega... o rio de amor, nascente de vida, semente pura,
Flui... o mar às minhas margens,
Faz... de mim tua maré,
Colhe... deste jardim aromas de jasmim e todos os beijos,
Arde... fogueira brava em mim,
Faz-me... fonte dos teus desejos.

Written by: Isabel Vilaverde
Março 2012

Pintura: Ana Luísa Kaminsky.

PALAVRAS NOSSAS - Colectânea de Novos Poetas Portugueses


Grata aos meus leitores e amigos que me têm apoiado
nesta incursão pelo mundo da escrita. Obrigada pelas
mensagens carinhosas e pelos comentários que me têm
enviado. Vós sois os alicerces fundamentais para eu
continuar esta caminhada. Sem o vosso apoio nada disto faria
sentido.

Como é bom levar-vos comigo.

Um forte abraço,
Isabel Vilaverde

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

OS RIOS AZUIS DAS TUAS MÃOS



Cada ano que passa celebras a vida,
Aprendes a escutar o silêncio das pedras,
E o canto dos pássaros,
Aprendes a tocar as folhas de Outono...
A entender melhor o gotejar dos teus olhos,
Aprendes a olhar os sulcos marcados no rosto,
E os rios azuis das tuas mãos.
Cada ano que passa celebras a vida,
Numa cadência de rosas a florir em cada Primavera,
Sonhas... Imortal o sonho dentro de nós...
Transpões as margens de um mar imenso,
Cravadas, como espinhos, as dores num silêncio de vozes,
Castigam-te ferozes, mas olhas em frente!
Cada ano que passa celebras a vida,
Acordas vontades que te ficaram esquecidas na alma,
Sobes encostas, desces colinas,
Trilhas caminhos, dobras esquinas,
Quantas vezes caminhas na ausência de um abraço...
De um sorriso, de um afago, de um simples olhar de ternura,
Mas não te verga o cansaço,
Reinventas as cores de um arco-íris que é só teu.
Cada ano que passa celebras a vida,
Sentes a brisa leve beijar o silêncio dos montes,
Ouves o remurmurejar baixinho das fontes,
Por entre aromas de verde e lilás,
De novo vences e sentes que és capaz,
Felizes os que crêem!
Trazes nos olhos um Sol de Verão,
E a palavra amizade escrita no coração.

Written by: Isabel Vilaverde
29-2-2012

Imagem: Google.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

ANTOLOGIA DE POESIA CONTEMPORÂNEA «Entre o sono e o sonho» Volume III


Quero agradecer à Chiado Editora e ao seu CEO,
Gonçalo Martins, o amável convite para participar,
como autora, em mais uma Antologia de Poesia.

Aos meus queridos seguidores e leitores desejo
que a leitura desta obra poética vos traga muito
prazer. Grata. Um abraço. Isabel Vilaverde.

NO VAZIO DA LUZ


Morre lentamente o dia no vazio da luz…
No vago tempo, perdi-me dos teus abraços,
Espraiam-se marés de mágoas e cansaços,
Na noite que chega bordada a finos traços.
Baloiça saudade no vaivém das ondas,
Dos beijos de fogo em mim apagados,
Sentidos, murmurejados, por nós sufocados,
Afagos dolentes nos corpos tocados…
Sonetos de amor por nós declamados.
Trago esta ausência em mim,
Fado de adormecidos silêncios
Que me choras no regaço,
Por vezes nem sei quem sou, o que quero,
Para onde vou, porque fico assim…
Busco o sorriso que se perdeu,
Preciso de ti neste poema,
Que respira a loucura de amar-te ainda…
Amor improvável que no tempo resiste,
É a dor em mim guardada,
Que escreve este poema triste.

Written by: Isabel Vilaverde


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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

SEM TI... SOU



Quero dizer-te amor...
Tudo o que ainda minha boca não te disse,
Abrir este peito em flor,
Mostrar-te o amor que por ti resiste.

Amor que nasceu dos gestos mais simples,
Que brota da seiva do meu coração,
Amor que é vida a pulsar em mim,
Amor que sublimo como uma oração.

E digo-a no silêncio permanente
De uma boca fechada...
De uma dor invisível que me dilacera.

Sem ti sou a folha perdida no nada,
O canto de um pássaro em sofrimento,
Uns olhos que choram, cansados da espera.

Written by: Isabel Vilaverde
14-2-2012

NAS ESQUINAS DO TEMPO


Hoje tudo se esfumou…
Uma dor lancinante o peito me rasgou,
Vestiu-me de morte, o frio senti,
Perdi-me dos sonhos, perdi-te de mim.

Amanhã tudo me faltará…
A saudade será bruma silenciosa,
Serpente ávida meu corpo engolirá,
A ausência dos teus braços dolorosa.

Olho a noite e as estrelas cintilando,
Nesta solidão das horas…
Os meus olhos de névoa se vão tapando.

Procuro-te nas esquinas do tempo, no firmamento,
E lá, no alto do céu…
Encontro somente a lua a chorar como eu.

Written by:Isabel Vilaverde
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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

ANTOLOGIA INVERNO


Uma Antologia composta por poemas, textos, crónicas, entre outros.
A editar, em breve, pela Pastelaria Studios Editora.

ANTOLOGIA DE POESIA


Caros amigos e seguidores, aqui vos deixo o Convite
para a Sessão de Lançamento da Antologia de Poesia
"ENTRE O SONO E O SONHO", Vol. III. da Chiado Editora.
Grata pela vossa presença.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

CARTA A MEU PAI


             Os anos passaram... Faz hoje, dia 18 de Abril, quinze anos que fiquei, ficámos, eu, a mãe, os outros familiares e todos os teus amigos, e eram muitos, privados da tua companhia, da tua alegria de viver, do teu sorriso. Fiquei privada, pai, do teu carinho imensurável quando me abraçavas. Sinto que o tempo fez apenas aumentar a saudade de ti. Guardo, na memória, todos os momentos que desfrutámos juntos. As nossas longas conversas, os fins-de-semana preguiçosos, os jogos de xadrez que eu  me gabava de te ganhar com um brilho nos olhos. Mestre exímio no Jogo das Damas, deixavas-me ganhar alguns jogos para me alimentares o ego, porque eu tinha mau perder. Digo-o com um sorriso. Guardo o teu gesto carinhoso quando me aconchegavas a roupa e me davas um beijo, antes de eu adormecer. Como te posso esquecer, pai? Como posso esquecer o tanto que me deste, as nossas viagens, as descobertas que fizemos juntos, os nossos lutos, as nossas lágrimas... Como posso esquecer o tanto que me ensinaste. Entre outras coisas, a arte de fotografar em estúdio, os segredos do preto-e-branco, como trabalhar em laboratório. Eras um artista, um homem culto, um SENHOR. Tenho o maior orgulho em ti, pai. Felizmente que te pude dizer muitas vezes, olhando-te nos olhos, o quanto te admirava.
            No meio de tantas recordações, recordo com um carinho especial, a nossa vivência em Moçambique. Apesar de pequenina, guardei dela a essência da terra, a alma pura daquelas gentes e a tua imagem, quando regressavas das incursões pelos aldeamentos pelo Norte de Moçambique, no teu velho Jipe Land Rover, coberto de pó amarelo, de onde sobressaiam apenas os olhos, dois pontos de um negro azeitona que me fitavam com tanta ternura.
            Quando, ao cair da tarde, naquela terra de chão vermelho, no bairro periférico de moradias alinhadas e jardins bem cuidados da cidade de Nampula, me sentava contigo a ouvir-te contar histórias incríveis vividas no mato, a minha respiração quase ficava suspensa. Fazia contigo o trilho dessa aventura na qual, só passados uns anos, tomei consciência de como arriscavas a vida para suprires o meu sustento e o da mãe. De boné militar e pele escurecida pela torreira do Sol perdias-te das horas, ora a contar as histórias, ora a brincares comigo, até que a mãe nos chamava para o jantar. O tempo voava na tua companhia e, quando tinhas que partir outra vez, pai, se soubesses como o meu coração ficava apertado... Tinha tanto medo que não voltasses, que os abraços e beijos ficassem, para sempre, suspensos na saudade da tua ausência... Apoderava-se de mim uma tremenda solidão e todos os dias, todos, perguntava à mãe quando voltarias.
            Hoje, ao cair da tarde, sento-me no quintal da nossa casa, sob a luz quebradiça dos candeeiros, onde, ao redor, minúsculas formigas muchém dançam um bailado alado e, tomada de um silêncio que só tu poderias quebrar, desfio estas memórias que me trazem viva. Não sabes, pai, quanta saudade vive dentro de mim. Onde quer que estejas a observar-me, pai, sei que estás, dou-te, através da brisa que leve e quente me acaricia, um beijo com muito amor.
Da tua filha Isabel.

Written by: Isabel Vilaverde
18/04/2013

Imagem: Eliomar Ribeiro.

           
           
       

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

PALHAÇO



Palhaço do circo,
Umas vezes pobre outras vezes rico,
Pintas o rosto com a tinta da ilusão,
Escondes as lágrimas com um sorriso.
És saltimbanco sem eira nem beira,
Menino dentro do peito, homem sem fronteira.
De calças largas, remendadas, e sapatos grandes,
Nariz vermelho, vês-te ao espelho,
Não paras... Já velho e cansado tocas trompete,
É esse o teu fado.
Vais gracejando e os meninos gargalhando,
Em todo o lado os aplausos se ouvindo,
As crianças precisam de ti para serem mais felizes,
E tu para viver precisas do sorriso dos petizes.
Escondes os sonhos na palma da mão,
Trazes na maleta retalhos de solidão.
As luzes acendem-se, as cortinas abrem-se,
Os braços levantam-se em jeito de abraço,
És palhaço sem terra, sem pátria,
Mas dono do Espaço!
Hoje as cortinas não se abriram...
As luzes não se acenderam...
Os aplausos não se ouviram...
Levaste, para sempre, o sorriso contigo,
E no lugar do palhaço,
Deixaste um saudoso amigo.

Written by: Isabel Vilaverde
Janeiro de 2012

Imagem: Google.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

TEMPO PARA AMAR



Hoje o sorriso morreu em mim...
Esfumou-se como o sol num dia de nevoeiro.
De que valem agora as palavras?
São mero exercício de retórica...
Sinto a emoção à flor da pele,
Já não posso dizer-te o quanto te admirava,
Dizer-te como no tempo nos perdemos do tempo de dizer,
Era eu uma adolescente interessada pelas artes e pela poesia
Tu, muito mais consciente e convicto do mundo,
Abraçavas a palavra e rasgavas mordomias,
Desinquietavas mentes comodamente instaladas, falavas de utopias,
De conquistas e de prisão, de direitos, de liberdade e de pão.
Rompias silêncios e dor com a tua poesia,
Era imperioso, urgente, combater pela razão, dizer não, e tu dizias.
Volvidos os anos, perdida a amizade neste universo temporal pelas vicissitudes da vida,
Se é que isso é verdade...
Ficam as palavras singelas, os gestos insignificantes perante a tua generosidade,
A tua grandiosidade humana.
Ficam as lágrimas sentidas,
Os afectos jamais morrerão.
Pela palavra, pela igualdade, pela justiça em cada dia, nesta sociedade a precisar de utopia.
Deixaste de estar...
Mas ficaste no coração e na poesia.

Written by: Isabel Vilaverde
4 de Janeiro de 2012
(Homenagem ao Poeta Setubalense Victor Serra
17/11/1950 - 27/08/2011).




 
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