sábado, 6 de agosto de 2011

AOS MÁRTIRES DE UTOYA (NORUEGA)


Diz-me, Deus, se existes
Porque deixas naufragar
Neste mar, os meus sonhos?
Só esperava de ti, amor
Poder deixar esta terra, a sorrir!
Preciso acreditar num mundo novo,
Sem ódios, sem invejas, nem sonhos a ruir,
Nem rios de sangue a correr,
Quero encontrar-te na paz dos arvoredos,

Na imensidade dos mares,
Nas montanhas, nas nuvens
Nos luares,
No encontro das almas sem cores,
Nos gestos de ternura,
Na suavidade das palavras,
E soltar risos e dar abraços,
E acreditar num mundo onde a vida
Seja um bem inestimável, não se banalize,
Seja uma força que derrube a insensatez da morte,
O sofrimento e as crenças cegas, sem norte!
Quero sentir-te no aroma das flores,
Ouvir-te, no canto alegre dos pássaros,
Viajar-te no labirinto das cidades,
Sem medo ou lágrimas inúteis,
Não quero silenciar-me à vossa dor,
Os vossos sonhos ruíram sob o silvo de balas certeiras,
Da frieza do gesto, um mar de sangue correu,
E o grito ecoou no mundo inteiro,
Porquê tanto ódio, em vez de amor?
A cada mártir ofereço uma flor e, como mãe,
Um céu chuvoso, um cântico triste em vosso Louvor.


Written by: Isabel Vilaverde
Julho 2011

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