quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

MAR DE BRUMA


Não sei há quanto tempo estou aqui,
Sentada à chuva neste lugar de ninguém,
Nem a sinto...
O mar enche-me os olhos já plenos de outro mar,
Dou-me à areia fria, nesta praia vazia,
Deito-me, quero ficar até ao entardecer...
Até o cetim do céu escurecer
E a lua espreitar.
Penso nos versos que não te fiz,
Nos beijos guardados por te dar,
Na vida que não vivemos,
Por capricho, por falta de amor,
Por medo de amar.
Não quero pensar que tudo o que vivemos
Foi uma mentira de sonhos dispersos,
Que conto nestes versos, vestidos de dor.
Mar de bruma, véu de lágrimas,
Envolve-me neste silêncio onde ao romper
Do Sol a névoa se esfuma,
E o meu corpo se veste de flores de espuma,
Já não quero ir para outro lugar,
Nem sentir a aragem quente e luminosa,
Quero apenas olhar-te, oh  mar,
Majestoso, poético, o meu mar,
Onde divido a saudade, onde quero chorar.

Written by: Isabel Vilaverde
23 de Fevereiro de 2010

1 comentário:

  1. Ao ler estas belas palavras sentei-me ao piano e fluiu um conjunto de acordes que, de certo modo complementavam as palavras e as frases que lia, numa simbiose quase perfeita. Foi...gratificante e... desconcertante!
    Obrigado!

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