sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

SILÊNCIOS


Há silêncio detrás dos montes
Em cada pôr-do-sol,
Há silêncio no pousar das borboletas
Nas folhas verdes,
Há silêncio na tua voz
Em noites eternas,
E silêncio nas tuas mãos
Desavindas do meu corpo...
Há silêncio nos teus lábios
Perdidos dos meus beijos...
Há, na hora da despedida
Silêncios inesperados,
E na alegria da chegada
Silêncios e olhares partilhados...
Gestos que em silêncio
Abraçam a minha alma,
Há silêncio de palavras
Na tua boca...
E silêncio na entrega
Dos nossos corpos...
Silêncios por desvendar
Em cada espera,
E silêncios contemplativos
Conjugados no verbo amar,
Há lágrimas que em silêncio
Rostos lavam...
Silêncios que me sufocam,
Que me engolem,
Como o mar os barcos que naufragam...
Há amores em silêncio desejados,
E amantes, em silêncio enlaçados,
E há o amor... o nosso amor...
Que o silêncio para sempre matou!


Written by: Isabel Vilaverde
Dezembro de 2010

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

VONTADE



Acordei com vontade de te envolver
num doce e terno abraço...
De te pintar os traços numa tela de saudade...
De levar-te comigo... como o vento leva as folhas de Outono
Acordei com vontade de beijar-te... como o mar revolto beija as rochas inertes
De abrir-te os braços... como o fogo que arde na serra oferecida
De escrever-te... palavras que o coração dita
E deixá-las voar... como pássaro livre
Ao teu encontro.



Written by: Isabel Vilaverde
Novembro 2010

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

ESPERO-TE


Espero-te...
Desesperam os braços para te abraçar
E neste compasso de espera
Morro em cada pôr-do-sol...
Renascendo em cada aurora
o desejo de te amar.


Written by: Isabel Vilaverde
Outubro 2010

OUTONO





Foto de Paulo Freixinho

Cai a chuva... lavando caminhos errantes
Brilha um Sol nos meus olhos
E da boca... a palavra amor voa
Como um vento que sai de mim...
Já tinha saudade de te sentir, Outono,
Já tinha fome de ti.


Written by: Isabel Vilaverde
Outubro 2010

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

A UM VENCEDOR


Olhar ausente...
Distante como os sonhos
Que te habitaram a juventude,
E na pele tão marcada,
O martírio, o sofrimento,
Os enlaces que um dia
Te aconchegaram o coração,
O desencanto, o desamor,
As lágrimas choradas
Por aqueles que partiram,
O vazio que te ficou no peito...
Um dia foste filho, pai, amor
Foste capitão de navio,
Sapateiro, pescador...
Um dia foste o sonho
De uma mulher,
Um porto seguro, um sonhador,
Despiste a farda do egoísmo
E deste-te aos outros...
Albergaste ideais,
Lutaste com convicção,
Gritaste revolta,
Fizeste da tua vida
Um hino de esperança, uma revolução,
Entre guerras e batalhas
Foste um vencedor.
Hoje, as tuas mãos
Abrem-se ao vazio
De um rosto para acariciar,
De um corpo para tocar.
Na tua boca vegeta apenas
O silêncio das palavras,
E o teu corpo,
Quase inerte pelas dores do tempo,
Arrasta-se, penosamente,
Para um beco qualquer,
Nele abrigas
A pesada herança da velhice,
Estás só... tão só como as pedras
Da fria calçada que te acolhe.
Desvaneceu-se o brilho de outrora
E nos olhos, ficou o esquecimento
Dos que amaste nos tempos de glória,
Tens como tecto a noite,
No coração, ausência e dor.
Recebes nas mãos trémulas
Um prato de sopa quente,
Porque entre diabos e anjos,
Existe amor!


Written by: Isabel Vilaverde
Outubro 2010

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

AMAR DE NOVO


Todos nós, pelo menos uma vez na vida, encontrámos alguém, que nos fez parar para pensar. Situações verdadeiramente inesperadas, que podem mudar, radicalmente, o rumo da nossa vida. E, por isso mesmo, quantas vezes nos questionámos, com o intuito de encontrar uma explicação, um sentido. Pensámos, analisámos, avaliámos prós e contras...
O que nos pareceu, à priori, fácil, tornou-se difícil... o que nos pareceu difícil e complicado, veio a revelar-se simples. E isto aconteceu-nos vezes sem conta.
O nosso instinto, aliado à experiência de vida, dá-nos directrizes sobre o que fazer, perante as tais situações inesperadas. E começamos, quase de modo inconsciente, a fazer uma triagem, após a qual tomaremos uma atitude, faremos uma escolha, seguiremos um rumo.
Mas, como em tudo na vida, a voz do coração quase nunca coincide com a voz da razão. E, quando se trata de sentimentos, tudo se complica...
O medo de nos deixarmos amar existe na realidade. Resistimos perante o desejo. Todos desejamos viver um grande amor, nem todos somos capazes de o viver.
Ao aceitarmos tal condição, de ser amado e de amar, teremos, obviamente, de aceitar tudo o que ela implica. Estaremos, realmente, dispostos a correr tais riscos? O risco de vir a sofrer, o medo de falhar, a capacidade de fazer cedências...
Quando iniciamos uma nova relação, será que arrumámos, definitivamente, dentro de nós, todos os aspectos negativos da relação anterior? Estaremos dispostos a entregarmo-nos a essa nova relação, fugindo de uma certa tendência, humana diria, de comparar pessoas? Será que estaremos à altura de amar o/a outro/outra, com total isenção, sem deixarmos os «ses» e os «mas» interferirem no nosso caminho?
Todos temos medo de sofrer, apesar do sofrimento fazer parte da vida e do nosso crescimento, como pessoas. É ou não verdade que, quando ficamos sós, depois de uma relação terminada, dizemos: «nunca mais» ou «nem tão cedo me meto noutra». Isto, evidentemente, quando não agimos com leviandade... e exigimos de nós uma atitude de introspecção.
Também é verdade que, quando ficamos sós, quase sempre nos focamos noutros interesses, tentando desviar a atenção para áreas que, de alguma forma, preencham o vazio pela ausência de um companheiro ou companheira. Com isto, não quero de forma alguma dizer que, quando temos alguém ao nosso lado, deixamos de fazer o que gostamos ou desejamos. O nosso espaço individual deve ser sempre mantido, numa vivência de partilha. O que pretendo realçar é, tão somente, que alteramos hábitos, estabelecemos prioridades onde, por vezes, uma nova relação não tem lugar.
Essas prioridades tornam-se rotinas, ficamos preguiçosos, individualistas, achando até que perdemos a capacidade de amar - puro engano! O racional e o emocional entram em desequilíbrio. Para que tudo volte à normalidade e a vontade de amar renasça, há que quebrar as barreiras do comodismo que deixámos instalar dentro de nós, não termos medo de arriscar, criando um novo espaço para deixar entrar o pulsar do amor.
Ninguém nasce para viver sozinho. Precisamos de amar, tal como precisamos do ar para respirarmos.
O que é essencial na vida de cada um de nós, o que perdurará enquanto a percorremos, o que nos une e nos fará felizes, são os laços do amor e da amizade que conseguimos estabelecer  uns com os outros. Tudo o mais, é acessório.

Autora: Isabel Vilaverde
Setembro de 2010
(@Todos os Direitos Reservados).

Imagem: Google.


segunda-feira, 20 de setembro de 2010

FALA-ME DE TI...




Fala-me de ti, da tua solidão. Tenho de perceber se ela é igual à minha. Fala-me das tuas vitórias e das tuas derrotas. Fala-me dos momentos intensamente vividos, das alegrias sentidas, dos caminhos errados que percorreste, dos medos, das frustrações. Fala-me de ti, para eu perceber que não estou só.
Sei que precisas de tempo e de silêncio para te encontrares, eu também. Cruzámo-nos por um acaso, uma feliz coincidência ou não e, na nossa solidão, partilhamos as vidas, ainda que distantes pelas barreiras físicas, mas perto, bem perto um do outro. Tu e eu vivemos, nesta solidão partilhada, menos sós.
Fala-me de ti, do que ainda queres ser. Não importa o que tu e eu fomos, mas sim o que somos. Para ti e para mim, tem de existir amanhã. Não podemos viver aprisionados pelo medo de não conseguirmos. Para quê levantar barreiras dentro de nós? Essas são as mais perigosas e difíceis de demolir, tu sabes.
Já experimentámos a dor. Já cruzámos caminhos, mares, outras vidas, já sonhámos ideais. Por tudo isso somos hoje mais do que fomos. Um cúmulo de aprendizagens e de sabedoria. Somos audazes, perante as adversidades, e capazes de destrinçar o bem do mal. Sabemos o que queremos, o que nos faz bem e nos permite avançar. Por isso escolhemos o nosso caminho. A reflexão deverá estar sempre presente nessa escolha, ao pretendermos ir ao encontro do verdadeiro sentido da vida.
A vida é uma só estrada, por todos percorrida, longamente ou em tempo breve. Nela, encontramos dor, amor, amizade, solidariedade, cumplicidade, partilha; pilares que nos humanizam e nos tornam grandes. Mas também encontramos ódio, indiferença, crueldade, mentira, arrogância; tudo o que nos torna monstros com forma humana.
Uma palavra dita, um gesto, mostrados de forma especial, farão a diferença. Marcarão, para sempre, a nossa memória e as nossas vidas.
Fala-me de ti, meu amigo. Deixa que o Sol te inunde o coração. O meu está pronto para te acolher, tranquilamente. Guarda a solidão que precisas para te encontrares, e partilha comigo aquela outra que te magoa. Tenho todo o tempo do mundo.


Com amizade...
Isabel Vilaverde
(dedicado a um amigo
em sofrimento).
20 Setembro 2010






 
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