quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

PALHAÇO



Palhaço do circo,
Umas vezes pobre outras vezes rico,
Pintas o rosto com a tinta da ilusão,
Escondes as lágrimas com um sorriso.
És saltimbanco sem eira nem beira,
Menino dentro do peito, homem sem fronteira.
De calças largas, remendadas, e sapatos grandes,
Nariz vermelho, vês-te ao espelho,
Não paras... Já velho e cansado tocas trompete,
É esse o teu fado.
Vais gracejando e os meninos gargalhando,
Em todo o lado os aplausos se ouvindo,
As crianças precisam de ti para serem mais felizes,
E tu para viver precisas do sorriso dos petizes.
Escondes os sonhos na palma da mão,
Trazes na maleta retalhos de solidão.
As luzes acendem-se, as cortinas abrem-se,
Os braços levantam-se em jeito de abraço,
És palhaço sem terra, sem pátria,
Mas dono do Espaço!
Hoje as cortinas não se abriram...
As luzes não se acenderam...
Os aplausos não se ouviram...
Levaste, para sempre, o sorriso contigo,
E no lugar do palhaço,
Deixaste um saudoso amigo.

Written by: Isabel Vilaverde
Janeiro de 2012

Imagem: Google.

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