terça-feira, 22 de março de 2011

O NOSSO ENTARDECER


Regressas agora...
Trazendo nos olhos
Um brilho de paz,
Falas-me sereno
Do amor que sentiste,
Nunca me esqueceste
Nunca te esqueci.
Estendes-me a mão,
E sem pudor contas-me
Da saudade sem fim,
Subimos a escadaria,
De pedras seculares,
Em direcção à paisagem
De beleza estonteante,
É rubro o pôr-do-sol,
Ardente e vibrante,
Como o coração sem norte
Que bate dentro de mim.
De olhar deslumbrado,
Eternizas em fotografia
O sonho de uma vida,
Desvio os cabelos
Que revoltos, brincam
Nas asas do vento,
Não quero perder-te
Um só instante, um só momento,
Primaveras passaram,
Mágoas deixaram
À deriva do tempo,
Deixemos o murmúrio do mar
Para bem longe levar
Todo o sofrimento,
Sintamos, no despontar de cada aurora,
A vontade de vivermos dias de Sol,
Manhãs chuvosas, ocasos,
De sentirmos o aroma das rosas,
Momentos que o tempo fará nossos,
Com a urgência de não deixarmos o amor morrer,
Juntos, nunca será triste o nosso entardecer.



Written by: Isabel Vilaverde
22 Março 2011

sexta-feira, 18 de março de 2011

ESSE MAR (A TRÓIA)


Rasgo memórias que o tempo guardou,
Memórias do mar...
De barcos apinhados, beijando a maré
Até à outra margem.
Memórias da serra... deleite dos olhos,
Sobranceira  ao rio de águas prateadas,
Memórias das dunas... recortando a Península tão bela,
De vegetação rara tão plena,
Morreu no betão coitada,
E a saudade das gentes
No coração ficou guardada.
Percorríamos a pé,
A longa passadeira de madeira irregular,
Até nos sentarmos na areia dourada,
Sob um sol tórrido que nos bronzeava.
Tecíamos sonhos com palavras doces
E beijos ardentes, carícias delicadas
Em corpos ondulantes,
O olhar mergulhado na fina areia,
Que a espuma das ondas, ao de leve, bordava,
Nessas tardes prazenteiras, à beira-mar,
Vestíamos de esperança
A vontade de ficarmos, de eternizarmos esse olhar,
Hoje já não viajamos nos barcos apinhados, beijando a maré,
Mas encontro no brilho dos teus olhos a mesma força de acreditar,
A mesma fé!


Written by: Isabel Vilaverde
Março 2011

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

SILÊNCIOS


Há silêncio detrás dos montes
Em cada pôr-do-sol,
Há silêncio no pousar das borboletas
Nas folhas verdes,
Há silêncio na tua voz
Em noites eternas,
E silêncio nas tuas mãos
Desavindas do meu corpo...
Há silêncio nos teus lábios
Perdidos dos meus beijos...
Há, na hora da despedida
Silêncios inesperados,
E na alegria da chegada
Silêncios e olhares partilhados...
Gestos que em silêncio
Abraçam a minha alma,
Há silêncio de palavras
Na tua boca...
E silêncio na entrega
Dos nossos corpos...
Silêncios por desvendar
Em cada espera,
E silêncios contemplativos
Conjugados no verbo amar,
Há lágrimas que em silêncio
Rostos lavam...
Silêncios que me sufocam,
Que me engolem,
Como o mar os barcos que naufragam...
Há amores em silêncio desejados,
E amantes, em silêncio enlaçados,
E há o amor... o nosso amor...
Que o silêncio para sempre matou!


Written by: Isabel Vilaverde
Dezembro de 2010

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

VONTADE



Acordei com vontade de te envolver
num doce e terno abraço...
De te pintar os traços numa tela de saudade...
De levar-te comigo... como o vento leva as folhas de Outono
Acordei com vontade de beijar-te... como o mar revolto beija as rochas inertes
De abrir-te os braços... como o fogo que arde na serra oferecida
De escrever-te... palavras que o coração dita
E deixá-las voar... como pássaro livre
Ao teu encontro.



Written by: Isabel Vilaverde
Novembro 2010

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

ESPERO-TE


Espero-te...
Desesperam os braços para te abraçar
E neste compasso de espera
Morro em cada pôr-do-sol...
Renascendo em cada aurora
o desejo de te amar.


Written by: Isabel Vilaverde
Outubro 2010

OUTONO





Foto de Paulo Freixinho

Cai a chuva... lavando caminhos errantes
Brilha um Sol nos meus olhos
E da boca... a palavra amor voa
Como um vento que sai de mim...
Já tinha saudade de te sentir, Outono,
Já tinha fome de ti.


Written by: Isabel Vilaverde
Outubro 2010

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

A UM VENCEDOR


Olhar ausente...
Distante como os sonhos
Que te habitaram a juventude,
E na pele tão marcada,
O martírio, o sofrimento,
Os enlaces que um dia
Te aconchegaram o coração,
O desencanto, o desamor,
As lágrimas choradas
Por aqueles que partiram,
O vazio que te ficou no peito...
Um dia foste filho, pai, amor
Foste capitão de navio,
Sapateiro, pescador...
Um dia foste o sonho
De uma mulher,
Um porto seguro, um sonhador,
Despiste a farda do egoísmo
E deste-te aos outros...
Albergaste ideais,
Lutaste com convicção,
Gritaste revolta,
Fizeste da tua vida
Um hino de esperança, uma revolução,
Entre guerras e batalhas
Foste um vencedor.
Hoje, as tuas mãos
Abrem-se ao vazio
De um rosto para acariciar,
De um corpo para tocar.
Na tua boca vegeta apenas
O silêncio das palavras,
E o teu corpo,
Quase inerte pelas dores do tempo,
Arrasta-se, penosamente,
Para um beco qualquer,
Nele abrigas
A pesada herança da velhice,
Estás só... tão só como as pedras
Da fria calçada que te acolhe.
Desvaneceu-se o brilho de outrora
E nos olhos, ficou o esquecimento
Dos que amaste nos tempos de glória,
Tens como tecto a noite,
No coração, ausência e dor.
Recebes nas mãos trémulas
Um prato de sopa quente,
Porque entre diabos e anjos,
Existe amor!


Written by: Isabel Vilaverde
Outubro 2010
 
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