sábado, 27 de setembro de 2014

PROCURO


Procuro no areal deserto
O teu beijo molhado,
A centelha do teu olhar,
O teu abraço chegado.

Procuro o fulgor da rosa vermelha
A adornar a nossa mesa,
Essa mão quente na minha,
Essa boca de beijos acesa.

Procuro o teu silêncio, o teu afagar,
O teu ombro, o teu riso,  o teu cheiro,
O teu corpo, feito desejo, no meu corpo a naufragar,
Quero amar-te por inteiro.

Procuro-te nas ondas bravas do mar,
E quando o luar se finar, escreverei o poema derradeiro
Em labaredas de fogo e paixão,
Como se fora o primeiro.


Autora: Isabel Vilaverde
27/09/2014
(@Todos os Direitos Reservados).

Imagem: Google.

domingo, 24 de agosto de 2014

DESPERTAR


Há que guardar meu coração
Das horas amargas da vida,
Há que viver em verde espera,
Saborear a quimera,
Amar ainda mais quem me viu nascer,
Quem me deu guarida.
Há que colher da Natureza,
A verdadeira essência do Ser,
Fechar os olhos à morte do corpo,
Exalar o perfume da bondade,
Espalhá-lo pela terra e pelo mar e,
num humilde despertar,
Descobrir o céu interior que existe
Em cada um de nós e salvar a Humanidade.
Há que converter lágrimas em sorrisos e caminhar,
Caminhar sem medo, sem vergonha,
Com passos resolutos e precisos,
Pelos caminhos do Amor Universal,
Banir da Terra toda a mágoa, toda a dor e
todo o mal.

Autora: Isabel Vilaverde
(@Todos os Direitos Reservados).
24 de Agosto de 2014


Imagem: Google.



quarta-feira, 30 de abril de 2014

DOCE VENTURA



Alentejo, poema a oiro cinzelado,
Ao sol intenso deitado,
Minha chama, meu berço,
Minha paleta de cores, grito vermelho intenso,
Oh planícies verdejantes que meus olhos vestem,
Em silêncio me embalam, em paz me adormecem...
Oh oliveiras verdinhas que à brisa quente os braços de luto agitam,
Oh singelas e brancas casinhas que  meus olhos encantam,
Oh fontes cristalinas que minha sede matam,
Meu Alentejo, meu braseiro ao sol-posto...
Oh árvores frondosas, curvadas, esplendorosas,
Perdidas em luares de Agosto...
Afago meu corpo cansado no teu ventre de ternura
E como um beijo te sinto...
Suave como o sabor das amoras que em minha boca perdura,
Oh meu Alentejo amado a verde e oiro bordado,
Oh minha doce ventura.

Autora: Isabel Vilaverde
23-04-2014
(@Todos os Direitos Reservados).

Foto: Filomena Brioso.



quarta-feira, 23 de abril de 2014

BRANCO VIRGINAL



Toco teu branco virginal,
Com subtileza acordo pensamentos,
Alegres, tristes ou profundos,
Neste trilho temporal.
São tuas as minhas dores,
Os meus êxitos e conquistas,
Os meus prantos e desamor.
Pinto-te a aguarela de uma só cor,
Uma dança preenche o vazio do nosso amor.
Palavra a palavra, deslizo a ponta suave da caneta,
Desenho as formas de cada letra,
E em cada escrever reinvento novas formas de viver.

Autora: Isabel Vilaverde
23 de Abril de 2014
(@Todos os Direitos Reservados).


domingo, 9 de março de 2014

MULHER


Mulher que dás teu ventre para abrigar vidas,
Que dás teus seios para alimentar filhos,
E trazes nos olhos a imensidade do infinito...
Nos lábios o grito, os beijos com que beijas e desejas,
Mulher que trazes, em ti, a força para lutar,
E mesmo quando cansada, não baixas os braços,
Olhas a estrada, porque os teus sonhos são mar...
Mulher que constróis a paz com sorrisos,
Que apaziguas a dor com palavras e amor,
Mulher, ainda castrada, maltratada e discriminada,
Objecto do prazer abjecto,  sem voto, sem tecto,
Prisioneira atrás de véus, açoitada por algozes
Que te sugam a liberdade,
Em ti vive a revolta, a insegurança, o medo,
Mulher que choras em segredo, não desistas!
É preciso continuar a caminhar com esperança,
E lutar pelos ventos da mudança!

Autora: Isabel Vilaverde
(@Todos os Direitos Reservados).
Dia Internacional da Mulher, 08/03/2014.


Imagem: Google.




sábado, 1 de fevereiro de 2014

JURAR ETERNIDADE



O brilho da lua cheia cristaliza em mim,
Adormeço em paz no teu regaço,
O corpo repousa leve do cansaço,
Guardado no teu abraço de amor sem fim.

Um sorriso nasce ao doce alvorecer,
Faço-me em ti onda de mar...
São teus todos os meus beijos,
É teu meu coração a palpitar.

Nesta cadência esparsa dos dias,
Vividos de beijos ardentes e olhares eternos,
De desejos acesos, esquecida a saudade.

Quebramos marés de nostalgia,
Rasgamos céus em voos plenos,
Somos duas almas e uma só boca a jurar eternidade.

Autora: Isabel Vilaverde
Fevereiro de 2014
(@Todos os Direitos Reservados).

Imagem: Google.













quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

ATÉ AO INFINITO DA NOSSA EXISTÊNCIA


Habita em mim um mar de incertezas...
Tenho, porém, a certeza de que o sonho
nunca me abandonará!
Sempre que retorno ao passado, jamais
me detenho.
Trago dele somente a força para caminhar,
seja o caminho tortuoso ou de bom andar.
Deixei de ouvir o eco dos teus passos quando
abrias a porta e entravas no meu, nosso mundo.
A palavra saudade partiu para lugar longínquo
e incerto.
Hoje rasgo novos trilhos com a força de acreditar.
Nos lábios permanecem ainda os sabores dos frutos de Verão.
As cores da Primavera ficam-me no olhar.
Em mim o Inverno será terno, um tempo de reflexão.
Mesmo que todas as cores se esbatam numa só cor,
vestir-me-ei das folhagens de Outono e caminharei
de mãos dadas contigo até ao infinito da nossa
existência.

Autora: Isabel Vilaverde
22 de Janeiro de 2014

Imagem: Google.


 
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