quinta-feira, 8 de julho de 2010

A PROPÓSITO DE UM LIVRO



Os livros não precisam de ser densos ou de linguagem rebuscada. As palavras, simples, explicam, genuinamente, a complexidade dos seres humanos. Mas, mais do que as palavras, são os sentimentos de que estas se vestem que exaltam as emoções, nos denunciam e nos aproximam uns dos outros. Um olhar, uma recordação que emerge da nossa memória, um desejo que o silêncio abraça e o gesto traduz, a vivência que cada um carrega, faz de nós seres únicos. Todos precisamos de um "deserto" para nos encontrarmos e valorizarmos. E é, nesse deserto, que nos libertamos longe de tudo, dentro do nada, do absoluto.

Obrigada, Miguel Sousa Tavares, por mais um belo livro " NO TEU DESERTO ".

18 de Setembro 2009

PORQUE NUNCA ME AMASTE?


      Porque nunca me amaste? Esta seria a pergunta que, se tivesse coragem, te faria. Passaram muitos anos, vinte e nove anos de uma vida, a minha, sem nunca saber sequer o que é sentir um beijo teu. Ano após ano, sem olhar o teu rosto, sentir o teu cheiro, esconder-me nos teus braços, sentar-me no teu colo ou simplesmente brincar contigo.

      Não sei como são os teus olhos, a cor dos teus cabelos, o teu sorriso. Não sei como és... Dizem que sou parecido contigo, não sei. Todos os anos há Natal e aniversários. Todos os anos há o "Dia do Pai". Todos os anos, até agora, nunca houve nenhum desses dias para mim, ao teu lado. Sei que vives perto, mas sempre longe... Sei que nunca me quiseste. Sei que me rejeitaste ao nascer ou melhor, que me abandonaste à minha sorte mesmo antes de eu nascer! Porquê? É tão difícil assim amar uma criança? Não sei se alguma vez te perguntaste porque o fizeste. Se foste capaz. Sei, apenas, que nos perdemos um do outro neste espaço, neste tempo que poderia ter sido de amor, de cumplicidade e de partilha, entre pai e filho. Decerto, sentir-me-ia mais feliz. Aliás, devo confessar-te que não sou feliz, não sei o que é ser feliz e penso que  não o sejas também, és? Vivermos a vida pela metade, só pode trazer dor e sofrimento. Hoje, a minha realidade é um cúmulo de dúvidas, de incertezas, de medos e desconfianças, porque nunca pude,  uma única vez dizer, a olhar para ti:  "Feliz Natal", "Parabéns pelo teu Aniversário" ou "Feliz Dia do Pai, amo-te". Comprometeste o teu e o meu futuro. A tua e a minha vida ficaram mais pobres. O meu sofrimento é permanente. Não sei se sabes o que é sofrer. Talvez, nesta indecisão que me tem acompanhado, a par com esta angústia, ganhe um dia coragem para, em vez de te escrever, ir ao teu encontro. Nada é permanente e imutável. Todos somos o que conseguimos construir ao longo da vida. Não devemos ter vergonha de cair. Todos erramos. Todos nos sentimos, em muitas alturas da vida, inseguros e frágeis. O mais importante é a coragem com que nos levantamos e olhamos o caminho à nossa frente. Tenho momentos que não sei se tenho forças para me levantar. Digo-te com toda a franqueza e reforço, afinal não me conheces. E, se nos cruzarmos na rua, não sabes quem eu sou. Mas devo dizer-te que eu sei. Sei onde moras, sei o café que frequentas, sei o carro que conduzes, sei como te vestes. Tudo faz parte da tua imagem exterior, não é? Aparentas, para os outros, ser um sujeito simpático. Mas, por dentro, não te conheço.
Não penses que ao escrever-te, estou a desculpar-te ou a perdoar-te. Não sei sequer o que sinto por ti... Vivo num abismo de incertezas e de perguntas por fazer. E se fosse ao teu encontro, como poderia saber a cor dos meus sentimentos? Entre nós corre um rio vazio de abraços... e de palavras.
Não consigo traduzir, nestas linhas, tudo o que me incomoda e dilacera por dentro. Provavelmente também não o conseguiria expressar, olhando para ti. A palavra, "Pai", existe apenas no meu imaginário, não a sinto. Nunca a digo. Nunca a disse. Devo dizer-te que gostaria de a ter dito, sempre, de lhe conhecer o significado.
      Talvez um dia decida ir ao teu encontro, sim. Talvez, nesse dia, encontre o teu lugar vazio. Não poderei, se assim for, olhar-te nos olhos e perguntar-te: porque me abandonaste? Também não poderás ver o meu olhar carregado de raiva e mágoa ou, frio e distante ou... não sei!
Se encontrar o teu lugar vazio... O que poderei esperar mais? Afinal as nossas vidas não têm sido sempre um desencontro?


Written by: Isabel Vilaverde
12 de Setembro 2009
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3 Comments
Luiz Says:
A descrição de abandono fere os olhos o coração, não faço perguntas porque essas nem tu as tens. Simplesmente pergunto a mim mesmo, como é possivel acontecer deixar para trás parte do nosso corpo sem ter remorsos?
Um texto cheio de lágrimas…um dia irás dizer-lhe “Feliz Natal”

July 7th, 2010

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July 8th, 2010

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Sincerely

Isabel Vilaverde

July 9th, 2010
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sexta-feira, 2 de julho de 2010

ESTAREI LOUCA?


Estarei louca?
Estarei louca tanto ou mais
Do que vós estais...
Não sois diferentes de mim, somos todos iguais!
Nos sonhos e nos desejos, e em tudo o mais.
Somos os loucos à procura de ser felizes,
Nesta vida de mosaicos e matizes,
Mas, quantas vezes o esqueceis?
Umas vezes bobos somos, outras Reis...
E a verdade, procurá-la-eis sempre, dentro de vós!
Mas nem sempre a encontrareis,
Pensai, antes que seja tarde...
E do mar se levante a tempestade.
Estarei louca?
Assim vós estais, para viver a vida
E amar cada vez mais!

Written by: Isabel Vilaverde
Julho de 2010

VIVER SEM TI


Tu envelheces, eu envelheço...
As memórias percorrem todas as veias do meu corpo,
Os risos que trocámos, os beijos que saboreámos
Desejam-te de novo,
E as mãos entrelaçadas, conduzem-me neste espaço vazio,
Sempre que estou triste, a força dos teus abraços conforta-me,
Quando te ouço, as tuas palavras libertam-me,
Tu envelheces, eu envelheço...
É difícil viver sem ti...

Written by: Isabel Vilaverde
1 de Julho de 2010

segunda-feira, 28 de junho de 2010

DOS LÁBIOS DOCE MEL


Sinto um torpor percorrer-me o corpo,
Procuram-te os olhos na ânsia de te ver,
Desejo vão que a noite esconde,
E o sonho mata lento...
Encontro-te finalmente na poesia,
E canto, nos versos que escrevo, o teu sorrir,
O sonhar das tuas mãos nas minhas apazigua-me,
Desejo viver com sentido e emoção esta vida,
De verso em verso, procuro a razão deste vazio a que retorno sempre,
Sinto frio...
Abraça-me noite, em raios de luar e carinho,
Envolve de mansinho o corpo que te procura,
Guardo no peito este amor puro,
Talvez um dia as minhas noites se vistam de paz,
E os dias transbordem de alegria por te receber,
Dos lábios, doce mel, brotem palavras, as que ficam agora por dizer.


Written by: Isabel Vilaverde
Junho 2010

quinta-feira, 24 de junho de 2010

SONO... SONHO


Sonho perfeito vigias a minha dor,
Imaculado de pecado, toca-me um amor ideal,
Vagueia no crepúsculo etéreo da minha alma,
Sonho, acalentas a esperança que o romper do dia reduz,
Quero ficar no teu sono perpétuo,
Onde o labirinto tortuoso do passado já não me faz chorar,
Sono, sinopsia da minha paz,
Génese do tempo, dicotomia da vontade,
Sonho, deixa-me ficar na busca da verdade,
Nessa simbiose perfeita, entre o ser e o estar,
Metamorfose do querer, entre o desejo e a felicidade,
Clivagem entre a abstracção e o poder,
Sono, deixa-me ficar prisioneira deste sonho, deste tempo de amar.


Written by: Isabel Vilaverde
Maio de 2010

sábado, 19 de junho de 2010

IN MEMORIAE - JOSÉ SARAMAGO (1922-2010)


Hoje estou triste... perplexa,
O riso partiu dos meus lábios,
Senti na carne o rasgar da lâmina,
E o coração abriu-se em pétalas de emoção,
Braços tolhidos de abraços por dar,
Se um dia os meus passos os teus pudessem encontrar...
Deixaste os meus olhos suspensos de um olhar vazio...
Hoje, levaste para sempre as palavras  e a saudade deixaste
No meu peito a morar,
As lágrimas  lavam-me o rosto aflito,
Mas sinto-te próximo, tão próximo,
A força da palavra nunca morre!
Guardo-te vivo nas obras que leio e penso contigo.

Written by: Isabel Vilaverde
18 de Junho de 2010
 
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